sábado, 21 fevereiro 2026
CORRENTE DE SOLIDARIEDADE

Família faz campanha por doação de sangue por paciente com síndrome rara

Paciente com síndrome mielodisplásica precisa de transfusões semanais, e parentes pedem mobilização para reforçar estoques do Banco de Sangue do Hospital Municipal
Por
Diego Rodrigues

A rotina da família Martins Feliciano passou a ser marcada por exames e transfusões semanais para a aposentada Maria Aparecida Martins Feliciano, conhecida como Cidinha, que convive com Síndrome Mielodisplásica, doença que compromete a medula óssea e afeta a produção das células sanguíneas. Segundo familiares, ela precisa, ao menos uma vez por semana, de transfusão de plaquetas para evitar complicações e reduzir risco de sangramentos.

De acordo com a filha, Sarah Martins Feliciano, a doença interfere diretamente na produção do sangue. “É como se a fábrica de sangue dela não conseguisse mais produzir as células sanguíneas de forma correta, ou produz em pouca quantidade ou produz células defeituosas. Por causa disso, ela tem uma anemia e as plaquetas muito baixas e precisa de transfusões de forma regular e frequente.” Sarah afirma que as plaquetas são necessárias para manter a mãe estável. “Ela precisa de plaquetas para conseguir se manter bem, com força e sem risco de sangramento.”

Para doar sangue é preciso ter entre 16 e 67 anos, menores acompanhados dos responsáveis, pesar mais de 50 quilos, estar em boas condições de saúde. Foto: Prefeitura de Americana

Dependência de transfusões aumentou desde 2025
A família relata que, desde o segundo semestre de 2025, a necessidade de reposição sanguínea se intensificou. O filho, Samuel Martins Feliciano, explica que a mãe faz hemogramas semanais e, quando os índices caem, a transfusão se torna indispensável. “Ela tem necessidade de forma recorrente de transfusões de sangue para garantir uma quantidade mínima de componentes do sangue, sobretudo plaquetas, para um regular funcionamento do metabolismo.”

Samuel diz que, com a queda significativa nos exames, o procedimento ajuda a garantir disposição para enfrentar o tratamento.

Falta de bolsas motivou mobilização
No fim de janeiro, a família enfrentou dificuldades por falta de bolsas na cidade e precisou buscar apoio em municípios vizinhos. “Minha mãe tem o tipo sanguíneo A positivo e teve dificuldade, pelos estoques que estavam baixos naquele momento, de ter acesso rápido ao composto de plaquetas que ela precisava transfundir”, relata Samuel.

Diante do cenário, os irmãos decidiram mobilizar amigos, parentes e a comunidade. “A gente resolveu criar uma campanha de doação de sangue não pensando só na minha mãe, mas em todas as pessoas que precisam de transfusões de forma recorrente”, afirma Sarah. Samuel diz que a intenção é ampliar o alcance. “A ideia era que fosse disseminado para ajudar o máximo de pessoas possível.”

A sobrinha Mariana também aderiu ao movimento e fez doação. “Nós lançamos recentemente uma campanha de incentivo à doação de sangue no Banco de Sangue de Americana pelo fato da minha madrinha estar passando por tratamento e precisar semanalmente receber bolsa de sangue.” Ela relata episódios em que foi necessário aguardar a chegada de bolsas de outras cidades. “Algumas vezes ela esteve no hospital para receber essas bolsas e o banco não tinha. A gente precisou esperar vir de Limeira e isso, para uma pessoa que está passando por tratamento, é bastante debilitador.”

Após comparecer ao serviço, Mariana reforçou o pedido por doações. “Eles me disseram que realmente o Banco de Sangue de Americana precisa de pessoas doando sangue. O estoque tem sido frequentemente baixo e para cada bolsa doada conseguimos salvar até quatro vidas.” Ela acrescenta: “É um ato realmente de amor, é um ato para salvar vidas.”

Como doar no Banco de Sangue de Americana
O Banco de Sangue do Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi atende Americana e cidades vizinhas e abastece urgências, cirurgias e tratamentos de pacientes com doenças hematológicas, câncer e leucemia. Segundo a família, em feriados prolongados costuma haver queda no número de voluntários, enquanto a demanda pode aumentar por acidentes e emergências.

Para doar sangue é preciso ter entre 16 e 67 anos (menores acompanhados dos responsáveis), pesar mais de 50 quilos, estar em boas condições de saúde e não apresentar doenças transmissíveis pelo sangue. As orientações incluem não estar em jejum, ter dormido ao menos seis horas na noite anterior, evitar bebida alcoólica nas 12 horas que antecedem o procedimento, não fumar duas horas antes e não consumir alimentos gordurosos nas três horas anteriores.

O serviço funciona de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 13h, com atendimento por ordem de chegada e sem necessidade de agendamento, com entrada pelo estacionamento da Rua Cuiabá, no Jardim Nossa Senhora de Fátima.

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