domingo, 13 setembro 2026

Investimento na Região Metropolitana de Campinas é o segundo maior entre regiões de São Paulo

Apesar disso, dados de 2020 indicam queda de 56% em relação a 2019, antes da pandemia de coronavírus 

CRESCIMENTO MENOR | Indústria registrou número modesto de investimentos na RMC (Foto: Arquivo/ TodoDia Imagem)

O número de investimentos concretizados na RMC (Região Metropolitana de Campinas) em 2020 foi o segundo maior entre as regiões do Estado de São Paulo, atrás apenas da Região Administrativa de São José do Rio Preto. Na RMC, foram registrados 24 investimentos, enquanto que a região de Rio Preto teve 26 investimentos.

Apesar disso, houve redução de 56% no número de investimentos na RMC em relação ao ano de 2019, antes da pandemia de coronavírus. Os dados foram divulgados em estudo do Observatório PUC-Campinas.

Dos 24 investimentos confirmados em 2020, sete foram aplicados em infraestrutura de transporte, eletricidade e gás, 20 a menos comparando-se com os resultados do ano passado.

Outros sete investimentos ocorreram no setor de serviços, principalmente em segmentos de alimentação e de imobiliária. Os demais investimentos na RMC foram destinados aos setores da indústria, do comércio e da agricultura.

De acordo com o professor Cristiano Monteiro, economista responsável pela análise, os números evidenciam, primeiramente, o efeito da pandemia sobre a economia regional, que se manifesta na expressiva retração dos investimentos em relação a 2019. O professor chama atenção para a mudança na destinação das aplicações: no ano passado, vários investimentos foram realizados em serviços especializados de informação e comunicação, atenção à saúde humana, atividades jurídicas, entre outras. Em 2020, essa realidade não se sustentou.

“Uma dinâmica focada em serviços de baixo valor origina uma macroeconomia de emprego mais precário, de baixo nível de renda”, diz o docente extensionista. Ele reforça que os investimentos em serviços especializados, como TI (tecnologia da informação), ligados ao consumo das empresas para efeitos de inovação tecnológica e desempenho corporativo, são fundamentais para o crescimento regional.

“Existe uma nova realidade mundial em torno desse processo das atividades econômicas. Nos Estados Unidos, as transações internacionais estão mais influenciadas pelo setor de serviços. Há todo um novo contexto em que o Brasil ainda está crescendo. Numa situação de pandemia, os investimentos poderiam ter acontecido em áreas ligadas para a atenção à saúde, intensificação de tecnologias, saúde digital etc. E a RMC não trouxe isso em 2020”, afirma Monteiro.

INDÚSTRIA
Em relação à indústria, setor que costuma ofertar melhores empregos e salários, o montante de investimentos foi modesto, apenas cinco. Boa parte das aplicações foi destinada à ampliação de capacidade no agronegócio, em Indaiatuba. Setores dinâmicos como máquinas e equipamentos e eletroeletrônicos passam por períodos de instabilidade pela falta de dinamismo da economia brasileira e forte concorrência da China.

“Os setores industriais mais dinâmicos da RMC vêm tendo, nos últimos anos, muitas dificuldades para retomar a atividade econômica e os investimentos, pois envolvem valores significativos. No contexto da pandemia, é muito difícil o setor investir”, explica o professor. 

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