terça-feira, 20 janeiro 2026
EM AMERICANA

Mãe atípica afirma que vereadora se recusou a devolver animais que eram suporte de criança autista após resgate na chuva

'Ele está sentindo falta. Já teve crise' comenta a mãe, Sara Duchini, sobre a situação
Por
Nicoly Maia
Os animais eram de criança autista. Foto: Arquivo pessoal/Reprodução Gama

Após a repercussão da matéria sobre o resgate de dois pintinhos e um jabuti realizado pela vereadora de Americana Roberta Lima na madrugada de domingo (18), a família responsável pelos animais procurou a equipe da TV TODODIA para registrar uma reclamação e questionar a ação.

De acordo com Sara Duchini, proprietária do apartamento onde os pintinhos estavam, os animais foram trazidos de uma fazenda no final de dezembro do ano passado. Ela relata que o filho, de 10 anos, possui hiperfoco em animais e que os pintinhos funcionavam como um suporte emocional para ele.

Animais ficaram na varanda durante saída da família
Segundo Sara, os animais foram colocados na varanda por volta das 20h, enquanto a família saiu para jantar, embora a vereadora tenha dito que isso teria ocorrido no período da manhã. A chuva teria começado após a saída deles. Ela conta que acreditava que a filha estivesse em casa naquele momento, o que não ocorreu.

Ainda conforme o relato, Sara recebeu uma notificação da portaria do condomínio informando que a vereadora havia resgatado os animais e que ela poderia ir até o apartamento buscar os dois pintinhos. 

No texto encaminhado pela Gama (Guarda Civil Municipal de Americana), consta que o resgate foi feito com o uso de um passaguá, uma espécie de rede para pesca. No entanto, em um vídeo gravado pela própria vereadora, ela afirma que “pulou na sacada para pegar os animais”.

Discussão no condomínio e acionamento da polícia
Sara afirma que, quando a filha foi até o apartamento da vereadora buscar os pintinhos, a situação se agravou. “A gente foi lá, ela estava com a câmera já posta, ela filmou a minha filha apertando a campainha dela para falar que ela não ia devolver, só com a polícia”, contou Sara, sobre o momento de primeiro contato com a vereadora. 

Diante da negativa, a filha de Sara acionou o 190 e todos foram encaminhados à delegacia para prestar depoimento.

Relato de tratamento diferenciado na delegacia
Na delegacia, Sara afirma que houve diferença no tratamento dispensado às partes envolvidas. “Lá na delegacia a gente teve um tratamento diferencial do dela, porque ela chegou, foi chamada para uma salinha, sentou, nós ficamos de pé. Na hora que ela entrou para falar com a escrivã, elas deram risada, a gente escutou elas rindo. Na hora que a minha filha foi entrar, que o meu namorado foi acompanhar a minha filha, a escrivã falou que não podia entrar, que era só um. No caso dela, entraram as duas”, relata.

Cuidado com os animais e impacto emocional na criança
Sara afirma que os animais eram bem cuidados e que há registros em fotos e vídeos que comprovam isso. “Minha vida é totalmente dedicada ao meu filho. Ele se apaixonou pelos pintinhos. Ele está sentindo falta. Já teve crise, eu estou passando por uma situação dele, eu tenho dó dele. Ele pergunta dos pintinhos, eu falei que foi para a fazenda, ele quer saber, a gente começa a distrair ele com outras perguntas, com outras coisas”, diz.

Ela explica ainda que o filho é acompanhado por uma equipe de psicólogos e que a família já estava se preparando para o momento em que os animais seriam levados para a chácara do pai. “É claro que eu não ia ter um galo e uma galinha aqui no meu apartamento. Então eu já estava em contato com a psicóloga, a gente estava conversando sobre isso, que eles têm que estar na chácara do pai dele. E era esse o momento, a gente ia levar, fazer festa, despedida dos pintinhos, tirar foto. E quando ele quisesse visitar, já sabia o lugar onde estavam os pintinhos. Estávamos nos preparando para isso. Ele foi arrancado. Ele [meu filho] me pergunta, e os pintinhos, está preocupado com os pintinhos dele.”

Repercussão e ataques nas redes
Sara também comenta que amigos e familiares comentaram sobre os comentários negativos sobre ela após a repercussão do caso. “E a gente fica sem chão. Eu tenho uma pasta de desenho dele de pássaros. Ele é focado em animais, focado em peixes, em fundo do mar, em pássaros, em aves. A vida dele é os animais. Se eu vivo pelo meu filho, então eu apoio ele em tudo que faz bem para ele”, afirma.

Ela relata ainda o impacto emocional da situação. “Eu chorei desesperadamente pensando que o meu filho ia chegar aqui. Só penso no meu filho, no bem-estar dele, porque eu não trabalho, eu vivo pelo meu filho. Eu sou mãe solo, eu cuido dele e eu quero só o bem-estar do meu filho. Ela tirou os bichinhos dele e estava fazendo um bem-estar para ele.”

Outro lado
Em nota, a vereadora Roberta Lima disse que não acessou a sacada do imóvel, ao contrário do que havia dito, e criticou as condições em que estavam os animais.. “O vídeo em que falo que entro na sacada foi para não ter que explicar o que era passaguá. Tenho os vídeos do dia todo com os animais nessa situação. Ela tinha um animal silvestre sem documentação, pelo menos não foi apresentado para a guarda ambiental. Ela tinha três animais em situação de maus-tratos, expostos ao calor e à chuva, presos em uma sacada, alocados em um cooler”.

A SSP (Secretaria de Segurança Pública) foi procurada para esclarecer o possível acompanhamento da namorada da vereadora durante o depoimento e a restrição imposta à outra parte, mas, até o fechamento desta matéria, não houve retorno.

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