sábado, 19 setembro 2026
FORMALIZAÇÃO JUVENIL

Mais de 84 mil jovens com menos de 30 anos são MEIs na região

Dados da Receita Federal indicam que essa faixa etária representa de 21% a 25% dos Microempreendedores Individuais nas dez cidades analisadas
Por
Diego Rodrigues
O Sebrae-SP oferece capacitação e orientação para auxiliar empreendedores. Foto: Divulgação/Sebrae-SP

Mais de 84 mil pessoas com menos de 30 anos estão formalizadas como Microempreendedores Individuais (MEIs) nas dez cidades da área de cobertura da TV TODODIA: Americana, Campinas, Cosmópolis, Hortolândia, Limeira, Nova Odessa, Paulínia, Piracicaba, Santa Bárbara d’Oeste e Sumaré. Segundo a Receita Federal, os jovens representam de 21% a 25% dos MEIs nesses municípios.

Campinas, Piracicaba, Sumaré, Limeira e Hortolândia concentram os maiores números de jovens formalizados. Em Americana, há mais de 5.600 MEIs com menos de 30 anos. Hortolândia tem a maior proporção, com quase 25% dos negócios registrados em nome de pessoas nessa faixa etária.

Participação de jovens de até 30 anos no total de MEIs por cidade da área de cobertura da TV TODODIA.

Empreender por necessidade ou escolha
Segundo Alice Rosado, analista de negócios do Sebrae-SP, o crescimento do empreendedorismo entre os jovens está ligado a diferentes fatores. Entre eles estão a necessidade de gerar renda, especialmente para quem não encontra oportunidades no mercado formal, e a busca por autonomia e flexibilidade.

A especialista afirma que não há uma única motivação para a abertura de um negócio. A iniciativa pode surgir de uma habilidade, de uma oportunidade identificada no mercado ou da necessidade de buscar uma alternativa de renda.

Para Alice, o aumento no número de CNPJs entre os jovens, isoladamente, não permite concluir que esteja ocorrendo uma substituição de empregos formais por contratações de pessoas jurídicas. Segundo ela, enquanto parte dos jovens empreende por necessidade, outros buscam mais autonomia sobre a própria atividade profissional.

Jovens começam cada vez mais cedo
A maior concentração de MEIs está entre pessoas de 21 a 30 anos, mas os registros também incluem empreendedores mais jovens. A região reúne milhares de pessoas entre 18 e 20 anos formalizadas como MEI.

Também há registros de adolescentes de 16 e 17 anos. Nessa faixa etária, a abertura de uma empresa depende de emancipação ou de autorização dos responsáveis, conforme as regras aplicáveis.

Alice ressalta que ter uma boa ideia ou domínio técnico sobre um produto ou serviço não significa, necessariamente, estar preparado para administrar uma empresa. “É comum que quem está começando tenha domínio sobre o produto ou serviço que oferece, mas precisa desenvolver outras competências, como planejamento, gestão financeira, precificação, vendas, marketing e análise de mercado”, explica.

Gestão é um dos principais desafios
A abertura do CNPJ é apenas uma das etapas para quem decide empreender. De acordo com a analista do Sebrae-SP, é preciso conhecer o mercado, identificar o perfil dos clientes, definir os preços corretamente, controlar o fluxo de caixa, separar as finanças pessoais das empresariais e acompanhar os resultados.

Para Alice, a educação empreendedora deve ir além do incentivo à abertura de empresas. O objetivo também é desenvolver competências que possam ser aplicadas em diferentes trajetórias profissionais, tanto por quem pretende atuar como autônomo ou empresário quanto por quem trabalha dentro de empresas e desenvolve soluções para as organizações.

A analista afirma: “Para o jovem que está começando, o principal conselho é não confundir o fato de conseguir abrir uma empresa com o fato de estar preparado para administrá-la”.

O Sebrae-SP oferece capacitação e orientação para auxiliar empreendedores no desenvolvimento de competências de gestão e na estruturação dos negócios.

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