
Guardas civis municipais e servidores da saúde de Nova Odessa realizaram, nesta segunda-feira (6), um protesto em frente à Prefeitura. A mobilização teve como principal reivindicação o possível fim da chamada folga de 24 horas, praticada há mais de 15 anos e que, segundo as categorias, pode impactar diretamente a renda dos servidores caso a medida seja aprovada.
Além da manutenção da folga, os manifestantes também cobraram recomposição salarial e criticaram medidas que, de acordo com as categorias, vêm reduzindo os vencimentos ao longo dos últimos anos.
Perda salarial e fim de benefícios
De acordo com o GCM (Guarda Civil Municipal) Ivan Galter Barbosa, que atua há 12 anos na corporação, as perdas salariais se acumulam desde o início da atual gestão. “Somando tudo, a gente já perdeu mais de 3 mil reais no salário”, afirmou.
Ivan também destacou o impacto da possível retirada da folga. “É uma folga que a gente tem há mais de 15 anos. Se tirar isso, mexe diretamente no salário do guarda”, disse.
Protesto com crítica simbólica
Entre os manifestantes também estava o técnico de enfermagem Thiago Matos, servidor concursado do município, que participou do ato usando um nariz de palhaço como forma de protesto. Segundo ele, a manifestação teve caráter pacífico e busca garantir direitos já consolidados.
“Não é para fazer baderna, estamos aqui para negociar um direito nosso”, afirmou. De acordo com Thiago, a principal reivindicação da categoria é a manutenção das folgas. “Essa folga não pode ser retirada porque é um direito adquirido há mais de 20 anos”, disse.
Condições de trabalho na saúde
Thiago também destacou a importância dos servidores para o funcionamento da administração pública. “A prefeitura não funciona sem o servidor público. Nós estamos aqui para trabalhar, para colaborar”, completou.
Além das questões salariais, os servidores relataram dificuldades nas condições de trabalho. “A situação é precária. Muitas vezes falta sabonete, papel higiênico, e o uniforme a gente precisa tirar do próprio bolso”, afirmou. Segundo ele, cada conjunto pode ultrapassar 400 reais.
O técnico ainda apontou que os ambientes de trabalho são insalubres e carecem de estrutura adequada. “A gente trabalha em condições difíceis, sem o mínimo necessário”, disse.
Resposta da Prefeitura e debate na Câmara
Procurada pela reportagem da TV TODODIA, a Prefeitura de Nova Odessa informou que as demandas da Guarda Civil Municipal foram discutidas durante a campanha salarial, em negociações com o Sindicato dos Servidores Municipais. Segundo o Executivo, uma contraproposta foi apresentada na última semana e agora cabe ao sindicato convocar assembleia para deliberação dos servidores.
O tema também foi discutido na décima sessão ordinária da Câmara Municipal. Segundo o vereador André Faganello (Podemos), os servidores recusaram a primeira proposta apresentada pelo prefeito Leitinho.
“A contraproposta do prefeito é a inflação e mais 1% de aumento real”, afirmou o parlamentar. “Agora ele precisa resolver a situação da folga de 24 horas e deve receber representantes dos servidores”, completou.
Falta de diálogo e cobrança por mudanças
Os trabalhadores também relataram falta de diálogo com a administração municipal e cobraram promessas ainda não cumpridas, como a implantação de um plano de carreira.
Apesar das demandas estruturais, o foco principal da mobilização segue sendo a recomposição salarial e a manutenção das folgas. “A gente quer salário, senão não consegue sustentar a família”, afirmou o GCM Ivan.





