quinta-feira, 19 março 2026
CUSTOS DE TRATAMENTO

Mãe denuncia falta de medicamentos para filhos autistas e cobra cumprimento de decisão judicial em Nova Odessa

Família afirma que prefeitura não fornece remédios nem terapias apesar de sentença que prevê multa diária em caso de descumprimento
Por
Vladimir Catarino
Natana segura a cesta de medicamentos que precisa comprar para o tratamento dos filhos; custo chega a R$ 1.300. Imagem: Reprodução

Uma moradora de Nova Odessa relata dificuldades para manter o tratamento dos dois filhos, de cinco e sete anos, diagnosticados com transtorno do espectro autista, diante da falta de fornecimento de medicamentos e terapias pela rede pública municipal.

Segundo a família, há uma decisão judicial que determina que o município custeie o tratamento, incluindo remédios e acompanhamento multidisciplinar. No entanto, a determinação não estaria sendo cumprida integralmente.

A dona de casa Natana Gonçalves, de 32 anos, afirma que busca o atendimento junto à Prefeitura desde 2024, após o diagnóstico do filho mais velho.

Custos e dificuldades no tratamento
De acordo com a mãe, os medicamentos deixaram de ser fornecidos desde dezembro, e as sessões de terapia não foram disponibilizadas até o momento.

“A dois anos eu ganhei, na Justiça, o direito de ter os medicamentos e terapia custeados pela prefeitura de Nova Odessa. No entanto, desde dezembro os remédios não são fornecidos e a terapia nunca foi disponibilizada. Preciso arcar, sozinha, com todos esses gastos”, relatou.

A família vive de aluguel e tem como renda a pensão de R$ 500 paga pelo pai das crianças e um benefício assistencial de R$ 1.620, concedido pelo governo federal por meio do Benefício de Prestação Continuada (BPC), previsto na Loas (Lei Orgânica da Assistência Social).

Segundo Natana, apenas os gastos com medicamentos chegam a cerca de R$ 1.300 por mês. “Esses remédios são específicos e necessários para o bem-estar das crianças. Eu recebo apenas um benefício do governo que, junto com a pensão, dá no máximo para comprar arroz e feijão. Muitas pessoas me julgam, mas não sabem tudo o que passo e faço pelas crianças”, afirmou.

Decisão judicial prevê multa
A sentença judicial, assinada em 15 de outubro de 2024, determina que o município forneça o medicamento Aripiprazol, conforme prescrição médica, além de garantir tratamento multidisciplinar.

O documento estabelece que o atendimento deve ser feito preferencialmente pela rede pública. Caso não haja estrutura disponível, o município deve custear o tratamento em clínica particular.

Também foi fixada multa diária de R$ 500, limitada a R$ 50 mil, em caso de descumprimento da decisão. A continuidade do atendimento depende da apresentação periódica de receitas médicas atualizadas.

Posicionamento da Prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Nova Odessa informou que tem interesse em cumprir a decisão judicial e que está em contato com a família, por meio da Secretaria de Saúde, para resolver uma inconsistência na documentação.

Segundo o município, o processo estava parado em razão dessa pendência.

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