Secretário de Governo, Marco Antônio Barion, o Russo, morto com 13 tiros, foi ameaçado com arma encostada ao corpo no estacionamento do Paço Municipal
A execução do secretário de Governo de Nova Odessa, Marco Antônio Barion, o Russo, morto com 13 tiros perto do condomínio onde morava, faz um mês nesta quinta-feira (6) e o que se sabe até o momento, conforme noticiou o TODODIA com exclusividade, é que Russo foi ameaçado com uma arma encostada ao corpo no estacionamento da Prefeitura, em meados de março do ano passado.
As ameaças eram de conhecimento geral no alto escalão na prefeitura e foram confirmadas pela viúva de Russo, Talita Monção, de 29 anos, em entrevista exclusiva, no dia 29 de dezembro. Ela crê em crime político.
Talita relatou que quem ameaçou Russo chegou a encostar o revólver na barriga dele e dizer no ouvido do então secretário que não “mexesse” em contrato (supostamente da administração).
“A pessoa chegou por trás do Russo, armado, colocou a arma na barriga dele e ele estava com o celular na mão, e a pessoa jogou o celular pra longe, e deu um recado no ouvido dele: “pare de mexer nos contratos”. O Russo ficou confuso (…), ele mesmo não sabia por parte de quem ele estava sendo ameaçado naquele momento, início de mandato. Sim, ele sofreu uma ameaça por conta dessas baixas em contratos”, afirmou.
Durante a entrevista, Talita ainda afirmou que o marido reduziu contratos de empresas prestadoras de serviços à prefeitura na casa dos 30%.
“Assim que o governo Leitinho assumiu a Administração (janeiro de 2021) e o Russo como secretário de Governo, a primeira coisa que ele fez foi a análise dos contratos (…) O Russo falou ‘se a galera (empresas prestadoras de serviço mediante licitação) quiser continuar, vou baixar 30% (dos valores pagos) dos contratos de todo mundo, sem exceção. Aí começaram as reuniões, contrato atrás de contrato, (Russo dizia) “ou você aceita os 30% ou você sai, a gente abre nova licitação, você pode concorrer de novo e aí vence o melhor preço”, disse ela.
Talita disse não acreditar que o assassinato do marido tenha relação com esse episódio em específico, mas para ela, a execução foi em virtude de crime político.
As investigações são realizadas em sigilo e estão sob a responsabilidade do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) de Piracicaba, que não fornece detalhes do caso, nem do curso das apurações.
A Prefeitura de Nova Odessa foi diretamente questionada pela reportagem sobre o caso das ameaças, mas disse, por meio de nota, que não se manifestará sobre quaisquer aspectos das investigações do assassinato do secretário ainda em andamento, e reforçou a “plena confiança no trabalho da Polícia Civil”.





