
Sem acordo entre trabalhadores e empresas, o movimento paredista na Refinaria de Paulínia (Replan) chegou ao 11º dia nesta sexta-feira (26). Além do impasse nas negociações salariais, a paralisação passou a ser marcada por denúncias de violência e acusações de práticas antissindicais nas proximidades da unidade.
Vídeos divulgados pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Campinas e Região (Sinticom) e pelo Sindipetro Unificado mostram dirigentes sindicais denunciando agressões contra participantes da mobilização.
Segundo o presidente do Sinticom, Amilton Mendes, diversos trabalhadores teriam sido atacados durante a madrugada. “Nós estamos aqui registrando o momento de agressão. Companheiro Marte, companheiro Carioca, vários companheiros foram agredidos nessa madrugada”, afirmou.
Relatos de agressão
Uma das denúncias foi feita por Márcio Roberto, assessor do Sinticom. Em vídeo divulgado pelo sindicato, ele relatou que passava pela região da refinaria por volta de 1h40 quando percebeu uma movimentação próxima a um dos acessos da unidade.
Segundo o relato, ao parar para observar o que acontecia, foi cercado por homens encapuzados. “Uns cinco ou seis carros desceram e aproximadamente quinze caras encapuzados começaram a bater no carro e me agredir, sem nenhum questionamento. Eu simplesmente parei para tentar entender o que estava acontecendo”, declarou.
Outro trabalhador ligado ao movimento, Elizaman Lopes, conhecido como “Carioca”, da Associação dos Trabalhadores de Paulínia, também relatou ter sido vítima de violência. “Estouraram minha cabeça no taco de beisebol, apontaram quatro pistolas para mim, deram tiro para o alto e quebraram meu carro”, afirmou.
Nota de repúdio
Diante dos episódios, a Confederação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e da Madeira (Conticom-CUT) divulgou nota de repúdio condenando os atos que classificou como violentos e antissindicais contra os trabalhadores dos setores de montagem e manutenção da Replan.
A entidade afirma que recebeu do Sinticom relatos de agressões contra grevistas e criticou o desembarque de trabalhadores às margens da rodovia por ônibus fretados, situação que teria obrigado funcionários a caminhar pelo acostamento, expondo-os a riscos de acidentes.
A Conticom também relaciona o conflito ao impasse nas negociações para renovação do Acordo Coletivo de Trabalho e afirma que a greve foi motivada pela insatisfação da categoria com a condução das negociações.
Cobrança à Petrobras
Na nota, a confederação pede que a Petrobras adote medidas para contribuir com a solução do conflito e garanta a segurança dos trabalhadores.
Segundo a entidade, embora as denúncias envolvam empresas terceirizadas, a estatal possui mecanismos que podem auxiliar na mediação e na construção de uma solução para o impasse.
Escalada da tensão
As denúncias também motivaram manifestações de dirigentes sindicais. O coordenador-geral do Sindipetro Unificado, Steve Austin, classificou a situação como preocupante. “Estamos vendo uma escalada da violência aqui e isso pode resultar em acontecimentos muito mais graves”, declarou.
Impasse continua
A paralisação foi iniciada após a rejeição da proposta patronal apresentada durante as negociações do dissídio coletivo de 2026. Os trabalhadores reivindicam reajuste salarial de 9%, aumento de 10% nos benefícios e abono dos dias parados.
As empresas ofereceram reajuste salarial de 6,5%, além de índices menores em parte dos benefícios. Entre os principais pontos sem consenso permanecem o reajuste salarial, o vale-alimentação e a compensação dos dias de paralisação. Apesar de decisão judicial determinando o retorno de 60% dos trabalhadores às atividades, a mobilização segue em frente à refinaria.
Em posicionamento divulgado anteriormente à TV TODODIA, a Petrobras informou que não interfere nas relações entre empresas contratadas, trabalhadores e sindicatos. A estatal também afirmou que a Replan continua operando normalmente, embora a paralisação afete atividades de manutenção e projetos executados por terceirizadas.





