quarta-feira, 24 junho 2026
SEM ACORDO

Greve na Replan chega ao 9º dia em Paulínia com tensão na portaria e impasse nas negociações

Sindicato relata agressão a trabalhador durante mobilização; categoria segue parada e sem acordo com empresas terceirizadas
Por
Thayla Nogueira
A greve teve início após a rejeição da proposta patronal apresentada durante as negociações do dissídio coletivo de 2026. Foto: Divulgação

A greve dos trabalhadores terceirizados que atuam na Refinaria de Paulínia (Replan) chegou ao nono dia nesta quarta-feira (24), com manutenção da mobilização em frente à unidade e sem avanço nas negociações da campanha salarial. Mesmo sob chuva, os manifestantes seguem concentrados na portaria da refinaria.

Vídeos divulgados pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Campinas e Região (Sinticom) mostram a movimentação de trabalhadores no local e momentos de tensão durante a mobilização. Segundo a entidade, um trabalhador teria sido agredido durante a manifestação, o que gerou empurra-empurra e instabilidade na entrada da refinaria. O sindicato afirma que a categoria permanece mobilizada e cobrando uma nova proposta das empresas.

Em vídeo divulgado pelo Sinticom, o dirigente Jucelino fez críticas à atuação de pessoas envolvidas na contenção do movimento e orientou trabalhadores sobre a greve. “Agrediram nosso trabalhador aqui na porta da Petrobras… não entre nos ônibus, isso é uma armadilha das empresas… nós não vamos recuar, nós vamos seguir avançando.”

Reivindicações e impasse na negociação
A greve teve início após a rejeição da proposta patronal apresentada durante as negociações do dissídio coletivo de 2026. Entre as principais reivindicações estão reajuste salarial de 9%, além de aumento no vale-alimentação, no café da manhã, na Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e na cesta natalina.

As empresas apresentaram uma contraproposta com índices inferiores aos solicitados, o que manteve o impasse e levou à continuidade da paralisação.

Decisão judicial e continuidade da greve
Mesmo com decisão judicial determinando o retorno de 60% dos trabalhadores às atividades, sob pena de multa diária em caso de descumprimento, o movimento segue ativo na portaria da refinaria. O Sinticom afirma que os trabalhadores permanecem mobilizados enquanto aguardam novas tratativas.

Posicionamento da Petrobras
Em nota, a Petrobras informou que não interfere nas relações entre empresas contratadas, trabalhadores e sindicatos. A estatal destacou ainda que a Replan segue operando normalmente, embora haja impactos em atividades de manutenção e na execução de projetos realizados pelas terceirizadas envolvidas na greve.

A Replan, localizada em Paulínia, é considerada a maior refinaria da Petrobras em volume de produção e tem papel estratégico no abastecimento de combustíveis no país. Até o momento, não há acordo entre as partes, e as negociações seguem sem previsão de desfecho.

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