sexta-feira, 8 maio 2026
PEDEM REAJUSTE

Motoristas e entregadores fazem paralisação em hub da Shopee em Piracicaba

Trabalhadores reivindicam reajuste nas diárias, mudanças no sistema de bônus e revisão de bloqueios de contas na plataforma
Por
Gabriela Lima
Legenda: Paralisação de entregadores da Shopee, em sua maioria motoqueiros. Gabriela Lima/TV TODODIA

Motoristas e entregadores por aplicativo realizaram uma paralisação pacífica nesta quinta-feira (8), no hub da Shopee localizado no Complexo Logístico Campestre, em Piracicaba. O movimento reuniu trabalhadores que reivindicam reajuste nas diárias pagas pela plataforma, além de mudanças relacionadas aos bônus e aos bloqueios de contas.

Segundo os participantes, os valores pagos pelas rotas não acompanham o aumento dos custos operacionais, como combustível, manutenção e desgaste dos veículos. Os trabalhadores relatam que, mesmo cumprindo jornadas diárias e realizando entregas regularmente, muitos não conseguem manter a atividade financeiramente viável.

Reajuste e custos pressionam motoristas
De acordo com Alexandrino Ferreira Jr., um dos líderes do movimento, a paralisação busca chamar a atenção para a situação enfrentada pelos motoristas parceiros da plataforma. “Chegou num ponto em que a matemática não fecha mais. O custo aumentou muito nos últimos anos, principalmente combustível, manutenção e desgaste do veículo, e o valor pago pelas entregas não acompanha essa realidade”, afirmou.

Os trabalhadores alegam que há cerca de quatro anos não ocorre reajuste nas diárias.

Cristiano Aldo da Silva, prestador de serviços da Shopee, afirma que o aumento aplicado apenas no valor por quilometragem não cobre os custos reais da operação. “O reajuste no KM não cobre o trabalho real, porque são mais de 100 quilômetros de deslocamento e a Shopee não paga isso. Dentro desse reajuste a gente já sai perdendo”, declarou.

Bônus e bloqueios aumentam tensão no setor
Outro ponto citado pelos trabalhadores é o sistema de bônus por desempenho. Segundo os relatos, para receber valores adicionais é necessário atingir metas consideradas difíceis pelos motoristas.

Cristiano afirma que muitos acabam perdendo bônus devido a entregas em locais fechados, como escolas e órgãos públicos, o que impacta diretamente a renda mensal. “A gente depende de bônus de pacote e de diária, mas só consegue bater se atingir 98% de performance. Isso é muito difícil porque colocam entregas em locais que estão fechados”, explicou.

Os motoristas também relataram bloqueios de contas sem retorno da plataforma. “Tem companheiro trabalhador que precisa trabalhar, tem criança, tem família. A única coisa que a gente está pedindo é trabalhar e também desbloquear esses motoristas”, disse Cristiano Aldo da Silva.

Movimento tem apoio da AMPIESP
A paralisação foi acompanhada pela AMPIESP (Associação de Mobilidade e Proteção dos Entregadores e Prestadores de Serviço). A entidade promoveu o protesto pacífico e acompanha a mobilização dos trabalhadores.

Segundo o vice-presidente da associação, Leandro da Silva Araújo Barros, o objetivo é garantir que os trabalhadores sejam ouvidos. “A AMPIESP está acompanhando o movimento e entendendo de perto a necessidade de o trabalhador ser ouvido e respeitado. É uma paralisação organizada, pacífica e consciente”, afirmou.

Os participantes afirmam que o movimento deve continuar até que haja diálogo e revisão dos valores pagos pelas entregas.

Posicionamento
A reportagem entrou em contato com a Shopee e aguarda posicionamento para atualizar esta matéria.

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