terça-feira, 3 março 2026
ENCONTRO DE ALMAS

Pitbull resgatada transforma luto em recomeço em Cosmópolis

Após caso de maus-tratos, Ravena foi adotada por tutora autista e se torna suporte emocional
Por
Thayla Nogueira
Hoje, Ravena ocupa a cama, a casa e um espaço definitivo no coração da tutora. Foto: Thayla Nogueira/TV TODODIA

Um caso de maus-tratos registrado em novembro de 2025, em uma empresa no bairro Itapavussu, em Cosmópolis, teve um desfecho que contrasta com as cenas encontradas no dia do resgate. Ravena, uma pitbull adulta debilitada pela fome, hoje vive em um lar em Artur Nogueira, onde se tornou suporte emocional da nova tutora.

A denúncia anônima levou a Polícia Civil e o protetor de animais Matheus Pádua até o local. A cadela e dois filhotes estavam sem alimentação. Outros dois não resistiram. “Ela não tinha nenhuma doença. Era comida. Foi só receber alimentação adequada que ficou forte de novo”, afirmou Pádua.

A denúncia chegou de forma anônima com vídeos que mostravam o sofrimento dos cães. Foto: Divulgação

Segundo ele, o que mais chamou atenção foi o temperamento. “Ela tinha tudo para ser reativa, mas é extremamente dócil e educada. Foi diferente de muitos resgates que já fiz.”

Conexão imediata
A história de Ravena chegou até Michelle Garutti pelas redes sociais. Ainda em luto pela morte de um pitbull que a acompanhou por 13 anos, ela não planejava adotar outro animal tão cedo. “Eu prometi que não ia pegar cachorro agora. Mas quando vi o vídeo dela, deu um ‘tchan’. Pensei: se der certo, eu pego. Quando ela veio, eu terminei de me apaixonar”, contou.

A adaptação foi rápida. “No primeiro dia ela já virou um grude. Quando eu começo a chorar, ela vem e fica comigo. Parece encontro de alma.”

Michelle tem autismo nível 1 de suporte e explica que os cães exercem papel fundamental na rotina. “Eles são suporte emocional. Só de estar perto já ajuda. Mas a Ravena percebe quando eu não estou bem e fica ao meu lado.”

Além da conexão afetiva, Michelle destaca o significado da adoção. “Eles sabem dar amor, mas precisam receber também. Saber o que é cama, sofá, petisco. Para mim, não faz sentido comprar tendo tantos precisando.”

Filhotes também ganharam lar
Os dois filhotes sobreviventes também foram adotados — um vive em Paulínia e o outro com uma família de Cosmópolis.

O caso segue sob investigação e o ex tutor deve responder por maus-tratos, conforme a Lei Federal nº 9.605/98. Para Matheus Pádua, acompanhar o desfecho é a maior recompensa. “Não tem dinheiro no mundo que pague saber que a gente mudou o destino dela e ajudou alguém que também precisava.”

Hoje, Ravena ocupa a cama, a casa e um espaço definitivo no coração da tutora. O que começou como denúncia terminou como parceria — descrita por quem vive como um verdadeiro encontro de almas.

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