domingo, 6 setembro 2026

Receita investiga esquema bilionário de dinheiro ilícito e polícia cumpre mandados na região

Hortolândia e Holambra foram alvos de operação nesta quarta-feira 

Foto: Receita Federal

A Receita Federal e a Polícia Civil de São Paulo realizaram nesta quarta-feira (5) uma operação que tem o objetivo de desmantelar um esquema bilionário de envio de dinheiro ilícito para o exterior. Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em Hortolândia e Holambra. Ao todo, foram cumpridos 52 mandados no estado de São de Paulo.

A Operação Fractal descobriu que o dinheiro passava por dezenas de empresas de fachada, estruturadas em um esquema que parece um “fractal”, onde todas as peças são parecidas. Os alvos na região de Campinas seriam proprietários de algumas dessas empresas de fachada usadas para o crime.
De acordo com a Receita Federal, as empresas possuem atividades diversas, como serviços odontológicos, gravação de som e de edição de música, filmagem de festas e eventos, administração de obras, serviços de pré-impressão, comércio varejista de mercadorias em geral, manutenção e reparação de máquinas e equipamentos, intermediações comerciais e lavanderias.
Foi identificada uma movimentação financeira de mais de R$ 4 bilhões, remetidos ao exterior entre 2021 e 2022.
As investigações da Receita Federal tiveram início quando foi constatado que empresas “noteiras”, ou seja, de fachada, transferiam dinheiro decorrente do lucro da sonegação para operadoras de turismo. Posteriormente os valores passaram a ser remetidos para empresas de “importação e exportação”, as quais não possuíam qualquer existência material.
O fato levou o foco das investigações das “noteiras” para essas empresas de “importação e exportação”. Foi constatado que essas empresas, que são inúmeras, sempre remetiam os valores recebidos para empresas “operadoras de criptoativos”. Estas, por sua vez, remetiam os valores recebidos para corretoras de câmbio a fim de realizar operações com criptomoedas.
Um fato comum a essas empresas de “importação e exportação” é o recebimento de dinheiro de diversas fontes que estão espalhadas por todo território brasileiro, muitos desses depósitos feitos em espécie e de forma fracionada. Também foi identificado o recebimento, em valores maiores e feitos por transferências bancárias, de empresas que atuam no comércio de produtos populares importados, sejam eles roupas, produtos eletrônicos e diversos outros artigos que são comercializados em centros populares. Outro fato identificado, comum a diversas dessas empresas de “importação e exportação”, é o recebimento de elevadas quantias de “padarias” e “mercadinhos”.
A análise das empresas de “importação e exportação”, que estão no meio do fluxo financeiro, identificou três tipos de principais remetentes de dinheiro: depósitos em espécie pulverizados por todo território nacional; atacadistas que revendem importados em comércios populares; e empresas que atuam no segmento de alimentação, como padarias e mercadinhos. Os depósitos em espécie não possuem origem, no entanto, muitos são de pequenos comerciantes de importados que moram em diversas regiões do Brasil. Os atacadistas formam uma intrincada rede, uma vez que recebem de outros atacadistas que recebem em espécie de pequenos comerciantes de importados, fazendo com que o esquema se assemelhe a um fractal.

Os valores de padarias e mercadinhos estão relacionados ao comércio ilegal de ticket alimentação, que financia o crime organizado, segundo a Receita, visto que valores do tráfico de drogas, por exemplo, recebidos em espécie, são “transformados” em cartões de ticket alimentação, pela compra, em espécie, do ticket alimentação do trabalhador. Esses tickets são posteriormente debitados em “padarias” e “mercadinhos” fictícios (muitas vezes também em diversos níveis, passando de uma padaria para outra) que irão transferir esses valores para as empresas de importação e exportação. 

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