sexta-feira, 3 abril 2026

Funcionários da Covolan entram em greve e cobram pagamento de salários

Empresa sofreu incêndio de grandes proporções em fevereiro e agora está em dificuldades para pagar colaboradores  

Cerca de 200 funcionários da indústria de tecelagem Covolan, de Santa Bárbara d’Oeste, participaram de uma paralisação nesta segunda-feira (7), em protesto contra o fracionamento do pagamento de salários. A empresa emitiu um comunicado de que pagaria 27,3% do salário líquido neste mês devido ao incêndio que tomou o prédio da tecelagem no começo de fevereiro.

Os trabalhadores se reuniram em frente à empresa nesta segunda-feira, às 13h, para reivindicar o pagamento da quantia total.

Durante a manifestação, a coordenadora do setor de Recursos Humanos, Claudia de Castro, comunicou que a empresa acrescentará um valor aos 27% e pagaria 59% do salário total ainda nesta segunda-feira.

No comunicado emitido pela manhã, a tecelagem informou que a decisão foi devido a “motivos alheios a sua vontade e em decorrência do momento atual que estamos vivendo, inclusive com o agravamento após o incêndio ocorrido na empresa”.

O incêndio de grandes proporções atingiu um dos galpões e a sede administrativa da indústria têxtil Covolan, no Distrito Industrial de Santa Bárbara d’Oeste, às 21h30 do dia 5 de fevereiro. O fogo só foi controlado por volta das 5h do dia 6. Ninguém ficou ferido.

De acordo com funcionários, a empresa atrasa no pagamento de salário desde 2021. Trabalhadores ainda relataram que não receberam o vale refeição na data do pagamento, dia 20 de fevereiro.

Ainda segundo funcionários, a empresa informou que pagaria o valor no mesmo dia do recebimento do salário, que deveria acontecer entre sexta-feira (4) e sábado (5). Nesta segunda-feira, os trabalhadores receberam o comunicado de que receberiam 27% do pagamento integral.

Um funcionário do setor de tecelagem, Otto Melo de Oliveira, pontuou que a situação financeira da empresa agravou no começo da pandemia. “Eles não querem mandar a gente embora, falam para a gente pedir as contas”, contou.

Os funcionários seguem as tratativas com o sindicato dos trabalhadores.

Ao TODODIA, a empresa comunicou que o parcelamento do salário aconteceu devido aos prejuízos do incêndio, que afetaram a capacidade produtiva, o estoque e inviabilizou o acesso ao local de trabalho.

“Não restou outra solução à empresa senão efetuar o pagamento dos salários de forma parcelada, tendo em vista que está com sua produção parada, estoques queimados e sem faturamento há mais de um mês”, informou a empresa, em nota.

A Covolan informou que os funcionários estão em suas casas desde o dia do incêndio em razão da extinção dos postos de trabalho. De acordo com o funcionário Otto de Melo de Oliveira, ele está “em casa com banco de hora involuntariamente”.

A empresa ainda relatou estar “perplexa com a atitude de alguns colaboradores, que aproveitaram a troca de turno para impedir e obstar a maior parte dos trabalhadores a sair e outros a entrar na empresa”.

A tecelagem afirmou que angaria esforços para o pagamento do restante o quanto antes.

Os trabalhadores se reúnem em frente à empresa e reivindicam o pagamento total dos vencimentos (Foto: Rafael Rezende/ TodoDia Imagem)

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