terça-feira, 25 junho 2024

Se meu Fusca falasse!

Quem vê um fusquinha parado em uma garagem no bairro Cidade Jardim, em Americana, não imagina o seu histórico de aventuras.

Com o carro de 1976, o analista de sistemas Sidinei Bento da Silva e a fisioterapeuta Mariana Coelho de Lima foram de Americana a Curitiba em uma viagem de pouco mais de 11 horas.

A experiência dos quase 1.200 quilômetros rodados, em dezembro do ano passado, foi compartilhada nas redes sociais.

“As pessoas perguntam o porquê de não viajarmos com um ‘carro normal’, ou de avião. Para nós, a viagem começa quando saímos da garagem. Viajar de fusca é uma aventura”, revela Sidinei.

Essa não foi a primeira vez que o fusquinha encarou a estrada.

O veículo já rodou por cidades como Piracicaba, Campinas, Pedreira, Indaiatuba, Holambra, São Pedro.

A ida até Curitiba foi planejada com antecedência. Em julho, começaram as manutenções.

“Trocamos a suspensão, amortecedores e pneus”, afirma Sidinei. Mariana acrescenta que, ainda como precaução, eles preparam um “kit de primeiros socorros” com peças extras caso houvesse necessidade. “Com todas as peças que compramos, seria possível montar um outro fusca”, brinca o condutor.

O investimento já ultrapassou a faixa de R$10 mil, mas Sidinei evita falar sobre as despesas.

O álbum de fotografias do casal americanense está repleto de imagens do carro em pontos turísticos, como o Jardim Botânico de Curitiba, Museu Oscar Niemeyer (Museu do Olho) e Bosque do Alemão.

Assim como dividem a paixão pelo Fusca, Sidnei e Mariana compartilham o amor pela imagem. Ambos também são fotógrafos e registram as façanhas do carrinho em perfis nas redes sociais.

“Todo trajeto é mais engraçado quando viajamos de Fusca”, diz Mariana.

SÓSIA DE UMA LENDA
O fusquinha do Sidinei é uma réplica quase perfeita de “Herbie”, que estrelou filmes produzidos pela Disney no final da década de 1960 e nos anos 70, como “Se meu Fusca falasse” (1968) e “As Novas Aventuras do Fusca” (1974).

O simpático personagem marcou a própria história do modelo da Volkswagen, que no dia 3 de janeiro completou 60 anos no Brasil.

Assim como o astro do cinema, o fusquinha americanense é carismático. Por onde passa desperta curiosidade.

“Desde que eu comprei o carro, em 2017, nós mesmos que o produzimos. Em alguns casos, somos até mecânicos. Basta ter arame e alicate por perto”, brinca o analista de sistemas.

PRÓXIMAS PARADAS: ALTAR E DEPOIS BELÉM
“Fusca não quebra, ele faz birra”, brinca Sidinei. Apesar de o casal se revezar na condução do Herbie, quando o carro quebra é Mariana quem empurra.

Eles já colecionam momentos de birra do fusquinha. Durante o deslocamento até a capital paranaense, houve algumas paradas para descanso.

A cada intervalo, curiosos se aproximavam para fazer perguntas e pedir uma foto com o carro.

“Em uma das paradas, foi preciso trocar a correia. Essa era a única peça que não tinha reserva. Deu receio, mas conseguimos uma nova assim que chegamos a Curitiba”, revela Sidinei.

Em destaque, no bagageiro superior do carro, o seguinte alerta: “Veículo lento. Na subida, então… ultrapasse!”.

Essa é a dica para outros condutores que vêm logo atrás. Esperar ou ultrapassar é a solução para quem não pode se irritar com o fusquinha que atinge, no máximo, 80 km/h.

Só não é possível confirmar, com precisão, a quilometragem do veículo, já que “o equipamento que registra não funciona. A gente faz uma estimativa”, afirma Sidnei.

Mal chegaram e já pensam em pegar a estrada novamente. Dessa vez, o próximo destino será o altar.

Para tornar a viagem mais inesquecível, Sidinei pediu Mariana em casamento.

“É claro que eu disse sim!”, fala a noiva entusiasmada que, provavelmente, vai para a igreja de fusquinha.

Os planos são para que a cerimônia aconteça em novembro.

No mês seguinte, o casal pretende ir até Belém, no Pará, a bordo do Herbie, é claro.

 
 

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