domingo, 22 março 2026
ESTATÍSTICAS ELEITORAIS

Número de eleitores cai em Sumaré e cidade pode ficar sem segundo turno nas eleições municipais de 2028

Total de cadastrados na Justiça Eleitoral caiu de 203.816 pessoas em março de 2025 para 197.473 em fevereiro de 2026
Por
Vagner Salustiano

Se as eleições municipais em Sumaré fossem realizadas atualmente, a cidade não teria segundo turno. Isso ocorre porque o número de eleitores aptos a votar caiu nos últimos 10 meses e voltou a ficar abaixo da marca de 200 mil cadastrados na Justiça Eleitoral.

É a primeira vez, desde o início da série histórica em 2009, que o município registra esse tipo de retração no eleitorado, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

A cidade havia ultrapassado a marca de 200 mil eleitores em julho de 2023, quando contabilizou 200.281 pessoas aptas a votar. Esse crescimento foi determinante para que Sumaré tivesse, pela primeira vez, um segundo turno nas eleições municipais de outubro de 2024.

Número de eleitores em Sumaré teve variação inesperada nos últimos 10 meses. Foto: Prefeitura de Sumaré

Eleições de 2024 e participação
No dia das eleições municipais de 2024, o município registrava 203.032 eleitores aptos. Deste total, 147.191 compareceram às urnas no primeiro turno, o que representa 72,50% de participação, enquanto 27,50% deixaram de votar, somando 55.841 pessoas.

No segundo turno, o primeiro da história da cidade, houve aumento da abstenção, que chegou a 32,92% do eleitorado. Na disputa, Henrique do Paraíso (Republicanos) foi eleito com 58,22% dos votos válidos, totalizando 72.003 votos, contra 41,78% de Willian Souza (PT), que obteve 51.668 votos.

Crescimento seguido de queda
Após o processo eleitoral, o número de eleitores continuou em alta, atingindo o pico de 203.816 pessoas em março de 2025. A partir desse período, porém, a tendência foi revertida.

O ano de 2025 terminou com 196.355 eleitores. Já em 2026, o município iniciou janeiro com 196.937 eleitores e registrou leve aumento em fevereiro, chegando a 197.473 — ainda abaixo do patamar necessário para um eventual segundo turno.

Fabiano Pereira comentou a redução inesperada no número de eleitores. Fotos: Vagner Salustiano/TV TODODIA

Análise do cenário
O Cientista político e pesquisador da Unicamp, Fabiano Pereira avalia que a oscilação no número de eleitores deve ser acompanhada ao longo do tempo. “Você vê que Sumaré vem numa crescente de número de eleitores. Inclusive agora teve um segundo turno, possibilitado por esse número de eleitores nas últimas Eleições. E agora curiosamente decaiu esse número de eleitores. É algo contínuo, é uma métrica que a gente tem que analisar aos poucos”, afirmou.

“Porque, por exemplo, de 2018 você teve uma crescente para 2019, e depois estabilizou, ficou estável até 2022. Aí em 2022 cresceu, cresceu em 2023, 2024, 2025 cresceu só um pouco e agora caiu. Então, o que é curioso pensar é como é que, se o ano de 2026 – que ainda não terminou o período de cadastrar o público de 16 e 17 anos – se vai continuar essa queda ou você pode estabilizar, digamos assim. Porque o patamar que a gente tem hoje é o patamar de 2023”, apontou.

Para o pesquisador, a participação dos jovens pode influenciar diretamente o cenário eleitoral. “A gente tem um tempinho ainda para ver se esse número vai cair, continuar em queda, ou se vai aumentar ou vai estabilizar. O ponto agora que eu gostaria de ressaltar é que a Justiça Eleitoral nos últimos anos, isso não nessa Eleição agora que vai acontecer (em 2026), mas na Eleição passada (2024), a gente viu muito a Justiça Eleitoral pontuando a importância de pessoas de 16 ou 17 anos tirarem o seu título de eleitor, participarem. Isso é fundamental, ver que público é esse, se esse público está de fato tirando seu título de eleitor. Tem um prazo agora para cumprir, e isso pode ser determinante para que essa (estatística) possa continuar caindo, ou possa se estabilizar novamente ou até mesmo crescer”, destacou.

Impactos políticos
A redução no eleitorado pode impactar diretamente o modelo eleitoral da cidade. Tanto do ponto de vista normativo, quanto lei – porque você precisa ter um mínimo ali de eleitorado para ter um segundo turno, esse é o mais óbvio –, e o outro é do ponto de vista da qualidade da política pública”, afirmou.

“O eleitor, quando vota, quando tira o seu título de eleitor, vai até a urna e deposita o voto em um candidato ou em uma candidata, está colocando a sua preferência em termos de política pública. (A queda no eleitorado) tem duas consequência: uma que é normativa, não ter o segundo turno, e a outra é qualitativa em termos de políticas pública”, concluiu Fabiano Pereira.

Prazo para regularização
Eleitores que precisam emitir o título, regularizar o documento ou cadastrar biometria para votar nas eleições gerais de 4 de outubro deste ano têm até o dia 6 de maio para procurar um cartório eleitoral.

Até essa data, também é possível transferir o título de cidade, alterar o local de votação, atualizar dados pessoais ou quitar pendências junto à Justiça Eleitoral.

Após o prazo, em 7 de maio, o cadastro será fechado para a organização do pleito.

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