O tatuador Paulo Fernando Martin, 47, morador do Morada do Sol, em Americana, iniciou em 2018 um projeto solidário: tatuagem do bem. Depois de uma tia ter câncer de mama, Paulo juntou seu trabalho de tatuador e a vontade de ajudar as pessoas. Teve início o “tatuagem do bem”, que, através de tatuagem 3D, reconstrói a mama das vítimas de câncer de mama.
“Já faço este trabalho há três anos, uma média de um por mês. Então, por baixo, já foram 30 mulheres beneficiadas pelo projeto”, contou à reportagem. Paulo não cobra nada pelo serviço, feito em seu estúdio de tatuagem no Morada do Sol.
Tatuador desde os 35, Paulo atende mulheres de Americana e região, mas também de outras cidades do interior do estado.
“Já fiz em duas mulheres que moram nos Estados Unidos e estavam no Brasil e ficaram sabendo, me procuraram. A maioria é de fora”, relata. Ele e a esposa, Eunice Alcântara de Martin, que faz o acompanhamento das mulheres durante todo o processo, distribuem cartões do projeto em centros de oncologia pelo estado.
A ideia surgiu com sua tia. “Tivemos um caso na família, de uma tia minha, que sempre abominou tatuagem. Diminuiu um pouco depois que virei tatuador. Mostrei para ela a ideia do projeto, ela não permitiu que fizesse nela, mas mostrei que a tatuagem também poderia ajudar as pessoas com o problema que ela tem. Ela entendeu que a tatuagem tem poder de devolver a autoestima também, pode fazer correções e trazer felicidade. Não é só embelezamento”, explica.
Cada tatuagem de seio tem gasto médio de R$ 500, arcados por Paulo e pela esposa. “Mais o material, que é caro, são descartáveis, materias de ponta, os melhores do mundo. Procuro usar os melhores pigmentos, minha máquina é bem moderna e tem o gasto do estúdio”, enumera.
Paulo não tem lucro algum, mas não se importa. O plano é outro: ampliar. “Não ganhamos nada mesmo, mas não tem problema, queremos ajudar. Seria muito bom conseguir patrocínio, empresa para ajudar e ao invés de uma por mês eu fazer três, quatro, ampliar o atendimento”, explica. “Só consigo bancar uma por mês”, diz.
O tatuador explica o motivo do projeto voluntário. “O intuito maior é devolver para o universo e para as pessoas tudo aquilo que a tatuagem já me deu na vida. A sensação de poder ajudar essas mulheres é a melhor do mundo. Deus me deu uma coisa que vai além do sustento da minha família, sustenta minha alma também. As pessoas saem de lá realizadas, sentem alegria, gratidão muito grande”, diz.
O tatuador revela que muitas mulheres mudam o conceito sobre tatuagem. “Ainda mais pessoas de idade, que me procuram e não imaginavam que um dia fariam uma tatuagem. Hoje, agradecem. Muitas ainda voltam depois para fazer tatuagem normal, ou seja, pega gosto e quebra um paradigma”.
Ele ainda exalta a participação da esposa em todo processo. “Ela assessora as mulheres, faz todo acompanhamento, eu só apareço na hora da tatuagem. O trabalho dela tem que ser reconhecido também”, afirma.
Paulo faz um apelo. “Temos a Medley e a EMS, duas empresas ricas, grandes, que vendem medicamentos, que podiam muito bem apoiar a gente neste procedimento. Manter eu consigo, mas queria alavancar o projeto, potencializar a nível nacional, ajudar bastante gente mesmo”.




