
A escritora e moradora de Americana, Luciana Franco, lançou o livro O Corpo que Voltou, publicado pela Editora Caravana. Com caráter autobiográfico, a obra reúne crônicas inspiradas em experiências vividas pela autora e aborda temas como maternidade, desejo, separação, culpa, liberdade, solidão e reconstrução após um relacionamento marcado por diferentes formas de violência.
Segundo Luciana, o livro começou a ser escrito em 2020, um ano após ela obter uma medida protetiva. A narrativa retrata o processo de uma mulher que retoma o controle da própria vida, mostrando que o recomeço acontece de forma gradual.
Significado do título
De acordo com a autora, o título O Corpo que Voltou possui diferentes interpretações. Para ela, o “corpo” pode representar a mulher, a mãe, a liberdade ou o desejo.
A proposta é provocar reflexões no leitor sobre o significado desse retorno por meio de questionamentos como: “Que corpo é esse? Voltou de onde? Voltou para quem? Voltou como?”.
Literatura como denúncia
Em entrevista à TV TODODIA, Luciana Franco afirmou que viveu um casamento marcado por violência sexual, psicológica, patrimonial e financeira. Segundo a escritora, essas experiências serviram de base para a construção das crônicas e transformaram a obra em um instrumento de denúncia.
Ao comentar sobre os episódios vividos, a autora declarou: “O estupro matrimonial existe e eu fui submetida a ele. Este é o tema da minha próxima obra”. Luciana também destacou que é possível abordar assuntos difíceis por meio da literatura sem abrir mão da sensibilidade.
Relatos
A escritora afirmou que, durante o relacionamento, temeu ser vítima de feminicídio e relatou que esse sentimento influenciou sua produção literária. Segundo ela, sempre que notícias sobre assassinatos de mulheres eram exibidas, o ex-marido fazia comentários que a deixavam apreensiva.
Luciana também contou que ele costumava colocar uma arma sobre a mesa de jantar como forma de intimidação.
Reflexão
Publicado pela Editora Caravana, O Corpo que Voltou utiliza a literatura como ferramenta de reflexão e reconstrução, transformando uma experiência pessoal em um convite ao debate sobre a violência contra a mulher e os caminhos do recomeço.





