terça-feira, 31 março 2026
SEGUNDA GUERRA

Jornalista lança livro em Americana sobre músicos nos campos de concentração nazistas

O livro apresenta uma narrativa que remete a produções como O Pianista, dirigido por Roman Polanski e vencedor do Oscar de Melhor Diretor em 2003
Por
Diego Rodrigues

Histórias sobre os horrores da Segunda Guerra Mundial seguem inspirando livros, filmes e documentários ao redor do mundo. Entre produções fiéis aos fatos históricos e obras que mesclam realidade e ficção, como Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino, o tema continua despertando interesse e reflexão.

É nesse contexto que o jornalista Paulo San Martin promoveu, em Americana, uma noite de autógrafos para o lançamento do livro Dachau Nunca Mais – Uma história para os tempos atuais, escrito em parceria com o dentista Paulo Cardoso.

Histórias sobre os horrores da Segunda Guerra Mundial seguem inspirando livros, filmes e documentários ao redor do mundo. Foto: Alessandro Araujo/TV TODODIA

Uma história sobre memória e alerta
O livro apresenta uma narrativa que remete a produções como O Pianista, dirigido por Roman Polanski e vencedor do Oscar de Melhor Diretor em 2003. Assim como o longa acompanha a trajetória de um músico judeu, preso em um campo de concentração durante o regime nazista, a obra de San Martin e Cardoso retrata a história de dois músicos que enfrentaram os horrores de Dachau, o primeiro campo de concentração nazista.

A partir das trajetórias de Willie Zobl e Herbert Zipper, os autores reconstroem experiências marcadas pela perseguição, pela resistência e pela força da arte em meio à barbárie. O encontro dessas histórias revela não apenas o impacto do nazismo sobre vidas individuais, mas também a importância de preservar a memória de um dos períodos mais sombrios do século XX.

Música em meio à barbárie
Segundo Paulo San Martin, a proposta do livro é abordar os horrores da Segunda Guerra Mundial sob uma nova perspectiva, destacando o surgimento gradual do nazismo e dos extremismos políticos, desde formas subterrâneas até seu crescimento. Ele afirma que a narrativa também trata da juventude nazista e ganha ainda mais relevância diante do cenário atual no Brasil e no mundo, o que motivou a publicação da segunda edição.

O autor conta que conheceu um dos personagens de forma casual, um músico austríaco bastante conhecido que visitava anualmente Barão Geraldo para ver o filho e mantinha vínculos acadêmicos na área de música. A partir dos relatos compartilhados por esse músico, ele e Paulo Cardoso passaram a reunir informações e construir a história.

A obra acompanha a trajetória de dois músicos, sendo que um deles compôs, dentro de um campo de concentração, a chamada Canção de Dachau. Anos depois, o músico austríaco encontrou as partituras em um castelo em Berlim Oriental, durante seu doutorado em música. Fascinado pela composição, ele desenvolveu variações orquestrais a partir da obra e iniciou uma busca pelo autor original, reconstruindo sua trajetória e os acontecimentos vividos no campo de Dachau.

Relatos que atravessam o tempo
O livro também percorre os desdobramentos históricos até os dias atuais. Lançado originalmente em 2001 com o título Canção de Dachau, a nova edição traz acréscimos, incluindo referências inusitadas, como uma citação ao cantor Zé Rico, relacionada a um encontro com personagens da história na China.

Ainda segundo o autor, o relançamento se justifica pelas transformações recentes no cenário político. Ele avalia que, diferentemente do que se imaginava no início dos anos 2000, houve um crescimento de grupos, células e defensores de ideologias extremistas, inclusive do nazismo, no Brasil e no mundo, o que torna a obra atual e necessária.

Reedição diante do presente
A obra é uma versão revista e ampliada de A Canção de Dachau – Uma história para o novo século, publicada originalmente em 2001. A nova edição integra a coleção Caminhos e Rumos, da Ícone Editora, dedicada a títulos que dialogam com questões relevantes da sociedade contemporânea.

O processo de escrita foi colaborativo. Apesar de Paulo Cardoso, coautor da obra, não ser jornalista (ele era dentista e faleceu no ano passado), a parceria funcionou de maneira fluida. Ambos realizaram extensas pesquisas e reuniram uma grande quantidade de documentos. O material inicial ultrapassou 200 páginas, mas a decisão foi condensar o conteúdo, tornando-o mais acessível e dinâmico, em linha com a ideia de que escrever também é saber cortar excessos.

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