sábado, 20 julho 2024

Karina Buhr lança seu novo álbum, “Desmanche”

“Desmanche”, quarto álbum de Karina Buhr, não é só o melhor disco da cantora. É também o mais pesado dela. Construído em sua maior parte por guitarra distorcida e tambores fortes, traz letras inspiradas e uma vocalista madura. 

Se o questionamento feminista do álbum anterior, “Selvática”, de 2015, dá lugar a um debate mais abrangente do que acontece no país, uma coisa permanece firme no trabalho de Buhr -seu talento para jogos com as palavras, em versos espertos, que mesmo quando são incisivos ainda soam divertidos. 

Um exemplo está logo em “Sangue Frio”, que abre o disco: “O Exército tá matador/ o tempo tá matador/ precisando exercitar paz e amor”. Ou em “Chão de Estrelas”: “Cada mão um copo cigarro/ no Carnaval todo mundo é ilegal”. 

“Temperos Destruidores” e “Lama” continuam a espalhar fúria de guitarra, a cargo de Régis Damasceno (da banda Cidadão Instigado), também produtor do disco com Buhr, e percussão, executada pela cantora e Maurício Badé. 

Outros nomes que ajudam essa viagem sonora são o rapper Max B.O., que faz com ela um dueto de canto quase falado em “Filme de Terror”, e a cantora Isaar, ex-parceira nos tempos da banda pernambucana Comadre Fulozinha, na divertida faixa “Vida Boa É a do Atrasado”. 

Mesmo sem ser panfletária nem cair num protesto óbvio e devidamente formatado para consumo, Karina Buhr consegue transmitir nas dez músicas do álbum uma urgência que parece mais do que necessária nos tempos atuais de tensão política. 

Buhr continua equilibrando sua força e sua doçura numa música muito peculiar. Dois lados da artista estão exibidos de forma enfática em “Tempos Destruidores”, talvez o melhor exemplo dessa proposta pesada de guitarra e tambor tribal, e em “Nem Nada”, canção difícil de classificar, com surdo e cuíca que podem até lembrar um samba. 

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