Os orçamentos destinados à cultura em cidades da região para 2026 apresentam valores elevados, mas com destinação concentrada em despesas fixas. Em Americana, a previsão ultrapassa R$ 10 milhões, enquanto em Santa Bárbara d’Oeste o montante passa de R$ 6 milhões, conforme dados levantados.
Apesar dos números, a maior parte dos recursos não é direcionada diretamente à produção cultural. A predominância de gastos com custeio reduz a margem disponível para investimentos em projetos, eventos e novas iniciativas.
Custeio consome orçamento
Na avaliação do ex-secretário de Cultura de Santa Bárbara d’Oeste e de Piracicaba, Adolpho Queiroz, os valores aparentam ser elevados, mas têm limitações na aplicação. Ele afirma que “quando a gente vê o tamanho dos orçamentos, parece um número grande, mas boa parte vai para custeio”.
Entre as principais despesas estão salários de servidores, manutenção de prédios públicos e custos operacionais básicos. Segundo ele, “você tem que pagar água, luz, fazer reparos, manter os espaços funcionando”, o que compromete parcela significativa do orçamento.
A estimativa é de que cerca de 60% dos recursos sejam destinados a esse tipo de gasto, reduzindo a capacidade de investimento direto em ações culturais voltadas à população.
Menos investimento, mais limitações
Com grande parte do orçamento comprometida, a realização de atividades culturais segue, mas com restrições. A expansão de projetos e a criação de novas iniciativas ficam limitadas diante do cenário financeiro.
Mesmo com as limitações, a maior parte da programação ainda é gratuita. “A maior parte dos eventos não é paga, principalmente na região”, afirma Queiroz, destacando que cobranças costumam ocorrer apenas em espaços específicos, como teatros.

Artistas buscam alternativas
Diante das limitações orçamentárias, artistas têm recorrido a diferentes formas de financiamento. Leis de incentivo, como a Aldir Blanc e a Paulo Gustavo, contribuem para a viabilização de projetos, mas não atendem todas as demandas do setor.
Segundo Queiroz, mesmo com a aprovação em editais, ainda é necessário buscar apoio complementar. Ele afirma que “os próprios grupos têm que correr atrás das empresas para conseguir o recurso”.
Além dos mecanismos federais, programas estaduais também oferecem suporte, mas exigem estruturação de projetos e articulação por parte dos proponentes.
Acesso restrito e fila de espera
Com recursos limitados, o acesso a espaços públicos culturais tende a ser mais restrito. O cenário favorece artistas já estabelecidos, enquanto novos participantes enfrentam maior dificuldade de inserção.
A demanda crescente por espaço contrasta com a capacidade de atendimento. “Existe uma gordura muito pequena para atender todo mundo”, afirma o ex-secretário.
Em Piracicaba, a criação de um sistema de cadastro passou a organizar a participação de artistas, estabelecendo uma fila de espera. A medida amplia o acesso, mas reduz a frequência de apresentações. “Quando você entra, acaba fazendo uma ou duas por ano”, explica.
Falta de posicionamento
Os secretários de Cultura de Americana e de Santa Bárbara d’Oeste foram procurados pela reportagem da TV Todo Dia, mas não concederam entrevista.





