segunda-feira, 4 março 2024
LUTO NA IMORTALIDADE

Morre o diplomata Alberto da Costa e Silva, imortal da Academia Brasileira de Letras

Poeta, ensaísta, historiador, memorialista e um dos maiores intelectuais do Brasil era especialista na cultura e na história da África; diplomata morreu de causas naturais
Por
Isabela Braz
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Morreu na madrugada deste domingo (26), aos 92, no Rio de Janeiro, o Acadêmico paulista Alberto Vasconcelos da Costa e Silva, diplomata, poeta, ensaísta, memorialista, historiador e imortal da ABL (Academia Brasileira de Letras). Segundo divulgado pela ABL, Alberto morreu em casa, de causas naturais.

Viúvo, Alberto deixa três filhos – Elza Maria, Antonio Francisco e Pedro Miguel – sete netos e uma bisneta. Seu corpo será cremado na segunda-feira (27), em uma cerimônia íntima para a família.

Ocupante da Cadeira nº 9 da Academia, eleito para suceder Carlos Chagas Filho em 2000, o intelectual era especialista na cultura e na história da África, tendo tido obras fundamentais para o desenvolvimento dos estudos e do ensino da história do continente africano. Alberto também foi embaixador do Brasil por quatro anos, na Nigéria e no Benin.

Na literatura, escreveu mais de 40 livros, entre poesia, ensaio, história, infanto-juvenil, memória, antologia, versão e adaptação.

Presidiu a ABL no biênio 2002-2003. Ocupou os cargos de Secretário-Geral em 2001, Primeiro-Secretário em 2008-2009 e Diretor das Bibliotecas em 2010-15. Era também Sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Portuguesa da História.

Em seu discurso de posse na ABL, Costa e Silva falou de sua “brasilidade”: “Carlos Chagas Filho desejou para esta Cadeira que fosse uma “cadeira cativa” carioca. Não o desapontará de todo estar eu aqui. Meu pai era de Amarante, no Piauí, de mãe maranhense, e estudou no Recife; minha mãe era de Camocim, no Ceará, criada em Manaus; tive um irmão carioca e dois mineiros, um deles educado em São Luís do Maranhão; de minhas irmãs, uma nasceu no Amazonas e a outra no Rio; deixei de ser gaúcho por três meses e fui nascer em São Paulo. Se me considero piauiense de coração, ancorado, pela infância, em Fortaleza, acabo de esboçar a ficha pessoal e familiar de um verdadeiro cidadão do Rio de Janeiro, cujas velhas ruas mais de uma vez percorri na companhia de um dos mais fraternos de meus amigos, Herberto Sales, e de um de seus amigos mais fraternos, Marques Rebelo.”

Premiações e reconhecimento

Alberto teve muito reconhecimento durante sua vida acadêmica, em 1996, foi Doutor Honoris Causa em Letras pela Universidade Obafemi Awolowo (ex-Uni­versidade de Ifé), da Nigéria, em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), em 2009, e pela Universidade Federal da Bahia (UFB), em 2012.

Em 2014, recebeu o Prêmio Camões; em 2003, o Prêmio Juca Pato – Intelectual do Ano de 2003, da União Brasileira de Escritores e Folha de S. Paulo; e em 2007, foi escolhido o Homem de Ideias pelo Jornal do Brasil.

Estudos africanos

Alberto teve grande paixão pela África quando descobriu mais a fundo sobre elas com as obras “Os Africanos no Brasil”, de Nina Rodrigues, e “Casa Grande e Senzala”, de Gilberto Freyre.

Sua primeira viagem à África ocorreu no início de sua carreira, quando integrou a comitiva do ministro das Relações Exteriores Negrão de Lima, representante do Brasil nas cerimônias de independência da Nigéria, em 1960.

Com seu livro “A enxada e a lança”, publicado em 1992, o imortal deu início a obras sobre o continente em língua portuguesa – o que pouco se tinha de conteúdo no Brasil na época sobre o tema. Já no prefácio do livro, o autor diz que a intenção do livro era de “entregar ao leitor um manual – simples, claro, direto, embora emotivamente interessado – que lhe servisse como introdução ao conhecimento da África”.

Em 2002, publicou o livro intitulado “A manilha e o libambo”, e que em 2003 ganhou o prêmio Jabuti e o prêmio Sergio Buarque de Holanda, atribuído pela Biblioteca Nacional.

Com mais de 33 obras publicadas, entre poemas, ensaios, memorias e antologias, Alberto deixa um legado na história da brasileira e um lugar vago na Academia mais importante do país.

Nota de pesar do Governo Federal

Uma nota de tristeza neste domingo (26/11) com o falecimento de Alberto da Costa e Silva, diplomata, ensaísta, historiador, um dos mais importantes conhecedores da África no Brasil.

Membro da Academia Brasileira de Letras, teve um papel fundamental na necessária aproximação entre o Brasil e o continente africano, de onde nutrimos nossas origens e em cuja ancestralidade alimentamos os nossos saberes.

Sobre o rio chamado Atlântico, que Alberto identificou, seguiremos construindo as pontes que ele sonhou. Meu abraço solidário aos filhos, netos e todos os familiares de um dos mais importantes intelectuais brasileiros no século XX.

Luiz Inácio Lula da Silva,
Presidente da República

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