segunda-feira, 22 julho 2024

Movimento negro discute sua história

“O negro na história de Americana” é o tema central do encontro que a UNEGRO (União de Negros pela Igualdade) de Americana e o Coletivo Batakotô estão promovendo para este final de semana. 

Com programação que se inicia às 9h e vai até às 18h de amanhã (24), o Casarão do Salto Grande é o local simbólico que sediará a atividade aberta a todos os interessados. As atividades incluem um café comunitário, palestras, rodas de conversa e atividades culturais. 

Segundo a organização, o Casarão é uma prova material da presença do povo negro na cidade de Americana e região em sua formação. Para eles, adentrar este espaço é também adentrar nesta história como uma tentativa de reconstituí-la para que essa memória seja preservada. Desta forma, o convite é feito para que o público interessado compareça como um ato de resistência, contando, inclusive, com a presença de memorialistas, historiadores, movimentos culturais, lideranças negras, entre outros. 

LACUNA 

Para Cláudia Monteiro, historiadora, pesquisadora e integrante da UNEGRO de Americana, os livros de história deixam a desejar quando se trata da inclusão da importância do povo negro e sua relevância histórica. “Lamentavelmente, a história oficial, entre registros de documentos oficiais e histórias dos livros, sempre foi muito seletiva e negligenciou a trajetória dos povos considerados vencidos”, lamenta a historiadora. 

Cláudia ainda adiciona o povo indígena à história dos negros e negras escravizados que pouco deixaram registros escritos, sobretudo pela falta de acesso ao aprendizado da leitura e da escrita. “A negligência da história oficial não é por acaso ou específica da cidade de Americana, mas teve no Estado Brasileiro o descaso na criação de políticas públicas para a população afrobrasileira, o mesmo Estado que manteve por séculos a instituição escravista”. 

“A partir dessa lacuna da história do negro em Americana é que estamos promovendo esse encontro de amanhã, com objetivo de registrar os depoimentos orais de lideranças negras. Estamos reivindicando o direito à memória em contraposição às sistemáticas políticas de esquecimento. O nosso esforço é tentar localizar, nos silêncios de alguns documentos, quem eram esses sujeitos esquecidos da história da cidade, como trabalhavam, como subsistiam e, de certa maneira, como resistiam às transformações impostas por uma cidade que absorvia mão de obra italiana e buscava a substituição da mão de obra escravizada”, completa. 

SIMBOLOGIA 

A pesquisadora explica ainda que a realização desta atividade no espaço do Casarão do Salto Grande tem uma forte simbologia para o movimento negro de Americana. “O Casarão, um solar de mais de 200 anos de existência, representa uma prova material da existência dos negros nesta cidade. Infelizmente é uma trajetória negada e silenciada. Portanto, realizar o nosso encontro no casarão é muito significativo, pois esse lugar representa um espaço de memória e um dos últimos baluartes de resistência dos nossos antepassados. 

O Casarão do Salto Grande “Dr. João da Silva Carrão” fica localizado na Avenida Nicolau João Abdala, 5005, em Americana. 

PROGRAMAÇÃO COMPLETA

09h – Café de Quilombo 

09h30 – “O Negro na História de Americana” – Cláudia Monteiro, da UNEGRO Americana 

10h – Abertura: Seu Dito Preto, da Associação Beneficente Quilombo da Paz, com atabaques e cantos afros 

10h30 – Roda de Conversa: Lideranças negras da região, perspectivas de luta e enfrentamento ao racismo hoje e no passado 

11h20 – A tradição do Jongo na região – Trupe do Interior 

12h00 – Intervalo 

14h00 – “Me Gritaram Negra”, poema de Victoria Santa Cruz, por Adriana – Trupe do Interior 

14h30 – Manifestações culturais afrobrasileiras 

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