quarta-feira, 25 fevereiro 2026
CIRCO DE PULGAS

Teatro gratuito em Campinas convida público a imaginar o impossível

Com entrada gratuita e recursos de acessibilidade, como Libras e audiodescrição, o espetáculo estreia em Campinas com sessões no Centro e no Taquaral
Por
Diego Rodrigues

Ensinar números circenses a uma pulga pode parecer impossível, mas é exatamente esse o desafio da Palhaça Tertúlia, vivida pela atriz Fernanda Nunes. No espetáculo “Tertúlia e o Fantástico Circo de Pulgas”, quem rouba a cena é Fifi, uma pulguinha acrobata que só ganha vida quando o público aceita embarcar na proposta e imaginar cada número apresentado.

O desafio de dar vida ao invisível
Para Fernanda, o circo de pulgas está entre as linguagens mais desafiadoras do teatro de formas animadas. “O teatro de formas animadas, o circo de pulgas, é um dos mais difíceis, porque o boneco é invisível. Então, para o ator, é um jogo de brincar com esse invisível para fazer com que seja visível”, explicou a atriz. Segundo ela, tudo depende de um acordo coletivo. “É um grande jogo de imaginação entre o público e a plateia para fazer com que tudo exista. O circo de pulgas é tudo sobre a pulga, sobre esse elemento que não existe, mas que, durante esse jogo, durante esse momento de teatro, da brincadeira, a gente vai acreditar que existe. Acho lindo”, afirmou.

Um resgate histórico com humor e poesia
Dirigida por Cláudio Saltini, fundador da Cia. Circo de Bonecos, a montagem resgata um gênero que fez sucesso na Europa do século XVI. A encenação mistura humor, palhaçaria e referências históricas para propor uma reflexão sobre a importância da imaginação em tempos cada vez mais dominados pelas telas.

Fernanda defende que, mesmo diante do avanço tecnológico, o teatro segue essencial. “Acho que o teatro, a palhaçaria, é um grande formador de empatia, nos coloca à exposição de sentimentos, independente das telas”, disse a atriz. Para ela, a experiência coletiva é um diferencial. “O teatro gosta de nos conectar com a outra pessoa, e a palhaçaria utiliza o recurso do humor, dessa figura do nariz vermelho, para se aproximar das pessoas. Em tempo de telas, em que a gente já fica muito sozinho, o teatro e a palhaçaria são essa experiência coletiva, estar com outras pessoas e apreciar algo juntos”, destacou.

O público como coautor da magia
Durante a apresentação, Fifi realiza saltos mortais, mergulha em uma tina d’água e até é lançada por um canhão. Mas, segundo a proposta do espetáculo, nada disso existe sem a participação ativa da plateia. É o público que se torna coautor da magia ao aceitar o pacto lúdico sugerido pela palhaça.

Imaginar para que o circo não acabe
Em cena, a atriz apresenta Fifi como a última pulga circense do Brasil. “O circo de pulgas está acabando porque as pessoas já não têm tempo de imaginar. Então, a reflexão que o espetáculo traz é cavar um pouco esse tempo para imaginar, esse tempo para brincar, esse tempo para acreditar no circo de pulgas e fazer com que ele não acabe”, afirmou. Ela reforça que a proposta vai além do riso. “Quero trazer essa reflexão de uma maneira carismática, leve, divertida. Espero muito que as pessoas tenham essa experiência com carinho e graciosidade”, completou.

Sessões sábado e domingo no Centro e Taquaral
Com entrada gratuita e recursos de acessibilidade, como Libras e audiodescrição, o espetáculo estreia em Campinas na sexta-feira (27) com sessões às 16h e às 17h30, na Praça Rui Barbosa, e no sábado (28) na Lagoa do Taquaral, também com sessão dupla às 9h30 e às 11h.

A proposta é simples e, ao mesmo tempo, provocadora: exercitar o “músculo” da imaginação e lembrar que imaginar também é uma forma de existir.

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