sábado, 14 fevereiro 2026
INSPIRAÇÃO

Conheça a vida e a obra do artesão que encanta a região com suas miniaturas

Mário Ferreira Bispo transformou a mobilidade reduzida em um legado de criatividade
Por
Nathalia Tetzner

Pequenos mundos esculpidos pelas mãos do tempo. Em cada detalhe de miniaturas de um caminhão ou de uma casa mora um capricho que desafia o olhar. 

Há histórias que não apenas passam pela nossa região, elas se fundem às cidades. Conheça o legado de Mário Ferreira Bispo: o artesão que transformou madeira e memória em um horizonte eterno.

Paralisia infantil
“A paralisia me pegou por volta dos 11 anos de vida. Eu andava arrastado, sentado, com as pernas cruzadas até os 18 anos. Eu comecei o meu trabalho com 13 anos no estado do Paraná. Meus pais e irmãos iam para a roça e eu trabalhava em casa. Depois, passei a fazer uns caminhõezinhos, meu pai trazia madeira da cidade para mim e eu vendia as miniaturas”, explica o artesão.

Importância da arte
Com a mobilidade reduzida desde a infância, Bispo encontrou no artesanato a expressão de um talento nato.  Enquanto os pais e irmãos se dedicavam ao trabalho na roça, ele transformava o tempo em criatividade, fazendo da arte o seu próprio campo de cultivo.

“Um senhor me deu a ideia de fazer umas casinhas. Daí, deslanchou. Mudei para Campinas e passei a trabalhar com outro padrão. Saía para vender cedo e só retornava para casa à tarde”, lembra o morador de Santa Bárbara d’Oeste. 

O artesão realizou diversas rifas ao longo da carreira. Foto: Raul Rodrigues/TV TODODIA

As rifas
Entre os momentos mais marcantes de sua jornada, o artesão se recorda com carinho de uma rifa que o ajudou a construir uma casa.

“Eu pensei em fazer o campo do Rio Branco. Eu fui ver um jogo e passei a construir a miniatura, medindo 1,20 metros. Iluminei a maquete e coloquei os dois times em campo. Na época, fiz uma rifa e consegui comprar meio lote”, conta Mário Ferreira Bispo.

Apoio dos moradores da região
Na jornada, a companhia dos amigos e da esposa Marlene Martins Rodrigues foram essenciais.

“Eu a conheci em 2006 e tínhamos a mesma ideia. Ela fazia bordado, crochê, tricô, não precisava que ninguém ensinasse. Significa muito as pessoas gostarem do meu trabalho e me apoiarem”, destaca Bispo.

O artesão é morador do Conjunto Habitacional Roberto Romano em Santa Bárbara d’Oeste. Foto: Raul Rodrigues/TV TODODIA

Acolhimento
Mais do que o sustento, a arte trouxe para Mário Ferreira Bispo o sentimento de pertencimento. 

Hoje, ao olhar para trás e ver o caminho percorrido desde a infância na roça, ele faz questão de retribuir o carinho que recebeu ao longo da jornada

“Eu gostaria de agradecer a todos que colaboraram comigo. Pessoas de Nova Odessa, Paulínia, Sumaré, Campinas, Santa Bárbara d’Oeste e Americana. Não tenho o que falar, todos me acolheram como se fosse de casa”, afirma Bispo.

Superação
Das mãos de Mário Ferreira Bispo não saem apenas peças de artesanato; sai a prova de que a beleza nasce da superação. 

Um exemplo de que, para quem tem arte no coração, o horizonte é o único limite.

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