
Colocar um ponto final na carreira é uma dor para todo jogador de futebol, mas encerrar onde tudo começou é um prazer que poucos atletas conseguem ter. Aos 37 anos, Ricardo Nascimento teve essa honra e ainda foi além, anunciou oficialmente a sua aposentadoria como campeão do Campeonato Paulista série A4 com a camisa do Rio Branco, clube onde foi revelado.
A última partida profissional da carreira do zagueiro foi justamente no último domingo (12), quando o Rio Branco venceu a Francana por 2 a 1, em Franca, e confirmou o título inédito.
“Tudo começou aqui e tudo está terminando aqui. No começo muito feliz e agora também muito feliz, tenho muito a agradecer ao Rio Branco porque me ensinou quase tudo no futebol e agora me deu esse título”, disse Ricardo em entrevista exclusiva ao TODODIA, gravada no gramado do Décio Vitta.

Baiano, nascido em Ilhéus, em 1987, Ricardo chegou em Americana aos seis anos de idade. Começou jogando pelo Unidos da Cordenonsi e chegou ao Rio Branco aos 13 anos, tendo Zé Pulga, figura histórica do Tigre da Paulista, como treinador.
Ingressou no time principal no ano de 2004, onde permaneceu alternando entre a equipe profissional e a sub-20 até 2007, quando se transferiu para o Figueirense. Ainda passou pelo Palmeiras B, mas a maior parte de sua carreira foi construída no exterior, passando seis anos em Portugal e sete na África do Sul.
Retornou ao Rio Branco em 2024, e a volta aconteceu por amor ao clube, pois na realidade o pensamento era se aposentar no fim do ano passado. “Graças a Deus apareceu esse convite do Rio Branco e mexeu muito comigo porque foi um clube que me ajudou muito, me projetou para o cenário do futebol e eu queria retribuir uma coisa boa”, afirmou.
Essa retribuição veio da melhor maneira possível, sendo peça fundamental para que o sorriso voltasse a ser presente entre os rio-branquenses, com o acesso a série A3 e o título da A4. Como um dos líderes do elenco, foi homenageado pelo capitão Paim no momento de levantar a taça.
“Foi pelo carinho que o grupo tem por mim. Só tenho a agradecer, ali foi o auge da felicidade, essa imagem vai ficar na minha cabeça por um bom tempo. Agradeço novamente aos meninos pela ajuda, pela paciência que tiveram com o ‘velhinho’ aqui. Estarei na torcida por eles”, contou.

Momento difícil da temporada: lesão
Durante a trajetória deste ano, uma lesão causou preocupação sobre a possibilidade de um possível fim no departamento médico, mas o zagueiro foi no sacrifício, fez incansáveis sessões de fisioterapia e conseguiu terminar em campo.
O jogador assume que, em concordância com os fisioterapeutas, preferiu não fazer exames para não constatar um problema que o deixasse fora até o fim do campeonato.
“Se fizesse exame, poderia dar alguma coisa e eu não queria saber disso porque o psicológico manda muito nessa hora. Pegamos firme na fisioterapia e eu consegui voltar“, contou.
O futuro fora das quatro linhas
Andando pelo gramado do Décio Vitta, o que fica são as boas lembranças e a afirmação de que a história foi construída. “É uma sensação boa, com um pouquinho de tristeza também porque é o que a gente gosta de fazer. Estou realizado e só tenho a agradecer a Deus por tudo que eu vivi no futebol”.
De fora das quatro linhas, o olhar agora é como torcedor. O projeto é continuar vivendo em Americana e dar continuidade aos negócios pessoais. Ricardo diz que não tem vontade de ser treinador, mas fala com entusiasmo sobre a possibilidade de se tornar comentarista da Rio Branco TV durante a Copa Paulista.