Havia um clima de tensão no ar quando Caio Sena Bonfim ganhou a medalha de bronze na marcha atlética de 20 km no Mundial de atletismo. Isso foi no dia 13 de agosto de 2017 e, naquele momento, os bastidores da modalidade já sabiam que Caio havia sido pego em exame antidoping, ainda que a família dele levasse a informação como um mero “boato’’. Na verdade, ele já havia sido comunicado de um resultado analítico adverso e estava se defendendo nas esferas cabíveis.
Quase um ano inteiro se passou e, ontem a AIU (Athletics Integrity Unit), um órgão independente da IAAF (Associação das Federações Internacionais de Atletismo, na sigla em inglês), criado no começo do ano passado, informou o fim do processo e a suspensão de Caio por seis meses -pena mínima. Apesar de o doping ter sido antes do Mundial, ele não vai perder a medalha. Mais uma vez, comprovou-se que o brasileiro consumiu suplemento alimentar contaminado.
“Eu estou feliz por ter conseguido provar minha inocência. A gente ficou com muito medo, é uma sacanagem o que aconteceu. Eles viram que os resultados estavam muito estranhos, que isso não é do mundo do esporte exames, surpresa, fiz vários exames do passaporte biológico e eles viram que meu organismo é igual desde 2011. O Brasil precisa ter consciência melhor sobre os contaminados’’, comentou Caio à reportagem. “Foi um pesadelo do qual acordei.’’
O marchador inclusive já entrou com queixa criminal contra a farmácia de manipulação que forneceu o medicamento. Em maio do ano passado, ele passou mal durante a Copa Pan-Americana, no Peru, já por conta da ingestão do suplemento contaminado. De fato, à época ele desmaiou e foi parar no hospital com batimentos cardíacos muito acima do normal e, segundo ele, com urina negra. “Parecia Coca-Cola. Se fosse outra pessoa, que não atleta, teria morrido’’.
Caio, que foi defendido pelo advogado Marcelo Franklin, está suspenso por seis meses, retroativamente a março de 2018. Portanto, ele pode voltar a competir já em setembro.




