segunda-feira, 6 julho 2026

Croácia fará final inédita contra a França

FOLHAPRESS | RÚSSIA
Pela primeira vez na história, a Croácia está numa final de Copa do Mundo. Em uma partida emocionante, decidida na prorrogação, o time derrotou a Inglaterra numa virada por 2 a 1 e disputará o título contra a França no domingo em Moscou.

É o terceiro estreante em finais em duas décadas. Em 1998, a França foi campeã, em casa, e em 2010, foi a vez da Espanha levar o título na África do Sul.

A Croácia supera sua épica campanha de 1998, quando estreou em Mundiais e só foi barrada na semifinal pelos mesmos franceses que irá enfrentar agora.

O resultado é uma combinação de aplicação tática, dedicação e sorte. Como efeito, o jogo de ontem teve mais emoção do que técnica em campo.

Croácia e Inglaterra caíram na chave mais fracas, com menos campeões mundiais, a partir das oitavas de final do Mundial.

Enquanto ficaram pelo caminho Rússia, Dinamarca, Colômbia e outros times secundários, na chave francesa foram eliminados favoritos como o Brasil, Portugal, Argentina e a Bélgica.

Derrotada pela França na semifinal, a equipe belga pega a Inglaterra na disputa do terceiro lugar às 11h de sábado, em São Petersburgo.

Ao meio-dia do dia seguinte, em Moscou, a França busca o bicampeonato contra a novata Croácia, time que nasceu dos escombros da antiga Iugoslávia em 1990 e só foi reconhecido três anos depois. É a equipe de história mais recente na Copa.

Os times chegavam à disputa com históricos contrastantes. Equipe mais antiga do mundo na Copa, com 146 anos, a Inglaterra enfrentava o esquadrão mais novo.

O JOGO
O fôlego inglês do goleador da Copa, Harry Kane, 24, e do meia Dele Alli, 22, só se fizeram presentes no primeiro tempo. Logo aos 4 minutos, Alli foi derrubado imediatamente à frente da grande área por Modric, que teve atuação apagada.

Trippier, que estreou na seleção inglesa em 2007 e não havia marcado gols na Copa, chutou com perfeição por cima de uma barreira de croatas com quase 1,90m de altura, sem chance para Subasic.

A Croácia se abateu, dando várias chances aos ingleses, aparentemente ignorantes da fama de pé-frio do cantor Mick Jagger, presente ao estádio.

No segundo tempo, os croatas passaram a pressionar os ingleses em sua área. Aos 23 minutos, o ritmo do jogo virou. A Croácia abriu o placar com um gol de Perisic, que venceu Walker e escorou um cruzamento. Novamente, a bola parada resolveu a parada na Rússia.

O mesmo atacante voltou à área inglesa, três minutos depois, e acertou uma bola na trave -a sobra ficou com Rebic, que jogou nas mãos de Pickford.

Na prorrogação, a grande atuação de Perisic fez a diferença. Ganhando uma dividida aos 2 minutos, colocou Manduzkic na cara do gol: 2 a 1.

Antes do fim do jogo, a Croácia ainda tirou o autor do segundo gol e Modric, o craque que responde a um processo acusado de acobertar um esquema de desvio de dinheiro de transferências de um ex-cartola, e que pode pegar até cinco anos de cadeia.

O resto foi correria de lado a lado, e pelo menos uma oportunidade para a Croácia ampliar.

Ao fim, a festa croata e a necessidade de adaptação de um verso de “Three Lions”. A letra já desatualizada de 1996 falava em “30 anos de dor” da torcida. Hoje, já são 52.

SOBREVIVÊNCIA EM 3 ATOS
A vitória por 2 a 1 sobre a Inglaterra ontem coloca a Croácia na história das Copas de várias formas. Além da presença inédita na final do Mundial, a seleção dos Bálcãs se torna a primeira desde 1934 a sobreviver a três prorrogações em uma única edição.

Em 21 edições de Copa do Mundo, a Croácia foi a segunda seleção obrigada a encarar três prorrogações seguidas: a Inglaterra tinha sido a única, em 1990. A Bélgica de 1986 e a Argentina de 2014 também jogaram três, mas não de forma seguida. De todas as equipes citadas, a croata é a única a vencer o cansaço em seus três jogos e seguir viva no Mundial.

Na Rússia, a curiosidade é que a Croácia sempre empatou por 1 a 1 nos 90 minutos, para depois resolver sua vida na prorrogação ou nos pênaltis. Após vencer o grupo D, os croatas pegaram a Dinamarca nas oitavas, fase na qual o 1 a 1 perdurou desde o minuto 4 até o final dos 120 -a classificação saiu nos pênaltis.

Depois, nas quartas, a situação foi semelhante: o 2 a 2 com os anfitriões da Copa teve mais emoção, com dois gols na prorrogação e nova vitória nos pênaltis. Nesta quarta, contra a Inglaterra, os pênaltis não foram necessários.

A Croácia enfrenta a França às 12 horas (de Brasília) deste domingo (15), em jogo que vale o título mundial. Os croatas chegam à decisão tendo jogado 90 minutos a mais que os franceses, em parcelas de 30 em cada tempo extra do mata-mata.

‘JOGO QUE NINGUÉM QUER’
O técnico da Inglaterra Gareth Southgate se mostrou bastante abatido com a derrota de 2 a 1 para a Croácia e lamentou o fato de sua equipe não ter aproveitado as oportunidades criadas quando vencia por 1 a 0, principalmente no primeiro tempo.

No sábado, às 11h, enfrentará a Bélgica, em São Petersburgo, em busca do terceiro lugar.

“É um jogo que ninguém quer jogar e temos apenas dois dias para nos preparar. Não vai ser uma tarefa fácil se recompor nas próximas 24 horas, é difícil ir adiante. Mas queremos ter uma performance que orgulhe nossa torcida, como fazemos toda vez que vamos a campo com esta camisa”, disse.

KANE ADMITE ‘RETRANCA’
Candidato a artilheiro da Copa, Harry Kane não jogará a final do torneio. O atacante foi eliminado e saiu de campo admitindo que a seleção não deu tudo o que poderia.

“É difícil dizer [o que faltou], até eles marcarem o gol estávamos ali esperando”, disse Kane, reconhecendo a estratégia defensiva que marcou a Inglaterra na partida. “Quando fizeram o gol, eles voltaram para a partida. Poderíamos ter feito mais. Eles jogaram bem e fizeram um bonito jogo”, elogia o camisa 9 inglês.

O atacante trata o terceiro lugar como possível prêmio de consolação. “Estamos arrasados por não chegarmos onde queríamos, mas precisamos dar a volta por cima.”

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