sábado, 15 agosto 2026

Qatar resgata para a Copa estátua da cabeçada de Zidane em Materazzi

Escultura que causou protestos há nove anos poderá novamente ser vista em Doha no ano do Mundial

Fotógrafo registra em Doha (Qatar) a imagem da estátua do artista Adel Abdessemed que retrata a cabeçada que Zidane deu em Materazzi na final da Copa do Mundo de 2006 (Foto: Reprodução / Karim Jaafar)

No segundo Mundial decidido nos pênaltis (o primeiro foi em 1994, Brasil x Itália, nos EUA), os italianos se sagraram pentacampeões ao superar os franceses por 5 a 3, depois de empate por 1 a 1 no tempo normal mais prorrogação.

Os personagens mais marcantes dessa decisão foram o craque francês Zinédine Zidane, capitão dos Bleus, e o zagueiro Marco Materazzi, da Squadra Azzurra.

Não só porque eles foram os responsáveis pelos gols de suas respectivas seleções, ambos no primeiro tempo -Zidane, de pênalti com cavadinha, e Materazzi, de cabeça após escanteio.

Mas porque eles protagonizaram a jogada mais lembrada da partida. A violenta cabeçada que o camisa 10 desferiu no peito do camisa 23 no início do segundo tempo da prorrogação.

O motivo: uma provocação do beque italiano.

No relato do próprio Materazzi, depois de um desentendimento na grande área italiana que deixou o italiano com cara de poucos amigos, Zidane disse que depois do jogo lhe daria sua camisa, e ele retrucou: “Prefiro sua irmã”.

A reação do francês, que tem uma irmã chamada Lila, foi imediata e intempestiva: a careca no tórax do italiano, que desabou.

O árbitro argentino Horacio Elizondo, ao saber da agressão por um auxiliar, mostrou o cartão vermelho a Zidane.

O lance ficou tão famoso que o escultor argelino Adel Abdessemed o imortalizou em uma estátua, cujo destino acabou sendo Doha, a capital do Qatar.

Colocada na orla da cidade, ela teve estadia curta por lá, apenas um mês.

Protestos constantes de muçulmanos -que a consideravam uma violação a dogmas religiosos, por incitar a idolatria, além de ser um estímulo à violência- fizeram com que as autoridades a retirassem e a guardassem.

Agora, entretanto, com a proximidade da Copa deste ano, que será em novembro e dezembro, a estátua de bronze de 5 metros de altura, chamada de Coup de Tête (Cabeçada), foi resgatada e será exibida para a população local e para os turistas.

Não perto do mar, a céu aberto, como nove anos atrás, mas em um local fechado, um museu com temática esportiva, a ser visitado somente por quem tiver interesse.

Nas palavras de Al-Mayassa bint Hamad bin Khalifa Al-Thani, irmã do emir do Qatar e responsável pela administração dos museus do país, “as sociedades evoluem”, e hoje haverá entre seus compatriotas uma aceitação maior da obra de Abdessemed.

“As pessoas podem criticar algo no começo, mas depois entendem e se acostumam com isso”, disse ela em entrevista a jornalistas. “Zidane é um grande amigo do Qatar e um modelo para o mundo árabe.”

Al-Thani prosseguiu: “Estamos tentando ensinar e capacitar as pessoas por meio da arte, e ela representa fatos da vida. Com a escultura de Zidane, falaremos do estresse dos esportistas em grandes competições e sobre a importância de lidar com a saúde mental”.

O museu 3-2-1, onde a Coup de Tête terá lugar de destaque em exposição a ser iniciada antes do início da Copa, fica localizado no Estádio Internacional Khalifa, um dos que receberão jogos do Mundial, incluindo a disputa pelo terceiro lugar.

O francês Zidane desfere cabeçada no italiano Materazzi na final da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha (Foto: Reprodução / Peter Schols)

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