A Ponte Preta inicia uma das semanas mais delicadas de sua história recente. Sem conseguir regularizar salários e impedida de inscrever reforços por conta de um transfer ban, a diretoria corre contra o tempo para estancar uma crise que se agrava a cada rodada do Campeonato Paulista. O prazo é curto: até terça-feira, o clube precisa apresentar respostas para evitar a saída de jogadores e o colapso do planejamento esportivo.
A gravidade do cenário foi admitida publicamente pelo técnico Marcelo Fernandes, que revelou ter pedido aos atletas que aguardem uma solução. Segundo ele, a permanência do grupo depende diretamente de avanços imediatos nos bastidores; caso contrário, a tendência é de debandada.

Técnico admite pressão e futuro indefinido
Diante das limitações impostas pela crise financeira, Marcelo Fernandes também colocou o próprio futuro em discussão. O treinador afirmou estar disposto a deixar o comando se a diretoria avaliar que ele não consegue extrair mais rendimento do elenco atual, montado sem as peças planejadas para a temporada.
O discurso do técnico mescla cobrança e apelo por união. Campeão da Série C há pouco mais de dois meses, o grupo agora convive com um ambiente de instabilidade e incertezas, distante do clima de celebração que marcou o fim de 2025 no Moisés Lucarelli.
Situação de Elvis aumenta tensão interna
Além da indefinição no comando técnico, a diretoria executiva também enfrenta dias decisivos em relação ao meia Elvis. O camisa 10 sinalizou nos bastidores a possibilidade de saída após a partida em Capivari, adotando um tom de despedida no vestiário.
Apesar disso, a Ponte ainda tenta reverter o cenário. Com contrato válido até 2028, o jogador é visto como peça estratégica, mas o interesse de clubes como Brasiliense e Náutico aumenta a pressão por uma definição rápida, especialmente diante da fragilidade financeira do clube.
Torcida convoca protesto no Majestoso
Fora de campo, a crise ganhou novo capítulo com a mobilização da torcida organizada. Um protesto está marcado para esta segunda-feira, 19 de janeiro, às 19h, em frente ao estádio Moisés Lucarelli. O ato tem como principais alvos o presidente Luiz Antônio Alves Torrano e o vice-presidente Marco Antônio Eberlin.
Sem pontuar nas três primeiras rodadas do Paulista e acumulando problemas como salários atrasados e elenco desfalcado, a Ponte vive um início de temporada marcado por instabilidade generalizada. O protesto será o primeiro de 2026 e simboliza o endurecimento do tom das cobranças da arquibancada.
Desgaste com organizadas e pouca exposição do presidente
Nos bastidores, o movimento das organizadas também reflete o desgaste de relações antes consideradas próximas. Parte da torcida mantinha diálogo frequente com o vice-presidente Marco Antônio Eberlin, mas a sequência de promessas não cumpridas e a manutenção do transfer ban minaram a confiança.
Outro foco de insatisfação é a postura do presidente Luiz Torrano. Eleito no fim de novembro, o dirigente tem se mantido distante do debate público, com poucas manifestações à imprensa ou aos torcedores. O silêncio, em meio à crise, ampliou a sensação de isolamento da diretoria.
Com o ambiente cada vez mais tensionado, a semana que se inicia surge como um divisor de águas para a Ponte Preta. A diretoria está pressionada a apresentar soluções concretas para evitar que a crise institucional e esportiva se aprofunde ainda mais no Majestoso.





