segunda-feira, 27 maio 2024

Mulheres ocupam 51% das vagas de trabalho na RMC

As mulheres estão aí, firmes e fortes: trabalham, reivindicam, empoderam-se, buscam prazer e felicidade. Já se foi, há muito tempo, a época em que o Dia Internacional da Mulheres era usado para denunciar preconceitos e falta de oportunidades. A sociedade mudou. E o mercado de trabalho comprova a presença delas em todos os setores. Elas representam, hoje, nada menos que 51% de toda a População Economicamente Ativa da RMC (Região Metropolitana de Campinas). São 1.066.400 mulheres e 1.012.300 homens produzindo.

Os dados são disponibilizados pelo departamento de Economia da Acic (Associação Comercial e Industrial de Campinas). Números que confirmam uma tendência notada ao longo da década. Para se ter uma ideia, 14 milhões de mulheres brasileiras sustentavam seus lares em 2001. Hoje são mais de 30 milhões, segundo o estudo conduzido pelos demógrafos Eustáquio Alves e Suzana Cavenaghi, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

E, se na RMC elas já mandam no mercado, no Brasil isso vai acontecer daqui a pouco. Até 2030, segundo o Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), a participação feminina no mercado de trabalho será maior que a masculina.

Quando saíram de casa e foram à luta, as mulheres se destacaram em atividades delicadas como o tratamento de beleza, o artesanato, o corte e costura. Mas o quadro foi mudando. E hoje as moças são diretoras de empresas, oficiais das Forças Armadas, policiais, eletricistas, pedreiras, pilotas… Messes onde há tem bem pouco tempo só trabalhavam os marmanjos.

Naturalmente, no Dia Internacional da Mulher, as reportagens vão levantar a velha bandeira: elas ainda ganham menos que eles para executar a mesma função. Mas é claro que a situação está mudando, e a mudança não tem retorno. Hoje, a própria Acic conta com um conselho formado por mulheres empreendedoras.

“Ele é formado por meninas que ocupam posições de liderança das organizações e tomam decisões”, afirma a presidente Adriana Flosi. Ela mesmo, aliás, exemplo do empoderamento feminino. Empresária no ramo de educação e de eventos, Adriana foi a primeira mulher a ocupar a presidência da Acic em 2010.

AS MELHORES

O crescimento significativo da participação das mulheres no mercado de trabalho tem explicação científica. Elas gerenciam melhor as situações, são mais ágeis para produzir. E quem faz a afirmação é o professor da FGV ( Fundação Getúlio Vargas), Luciano Salamacha, especialista em gestão de carreiras.

As mulheres, diz, possuem talento próprio que a destacam no mundo empresarial e favorece os negócios. Lidam melhor nos relacionamentos interpessoais, fortalecem o trabalho em equipe, resolvem várias questões ao mesmo tempo e têm uma visão ampla das situações.

Herança, talvez, da cultura doméstica: a mulherada historicamente aprende a se virar, limpando a casa, cuidando dos filhos e fazendo almoço, tudo ao mesmo tempo. É assim no emprego. “Elas respondem com vitalidade por áreas vitais da empresa, mas possuem ao mesmo tempo habilidade para resolver assuntos menores, periféricos”, afirma o professor. “É uma profissional multifacetada, capaz de desempenhar três ou quatro funções ao mesmo tempo”.

Outro fator importante. Elas possuem capacidade de resiliência e perseverança. Assimilam as condições adversas e revertem aspectos negativos para situações otimistas. Ótimo para o âmbito corporativo.

Na empresa

Juliana Martins Mattos cresceu no São Domingos, em Americana, filha de um industriário e de uma dona de casa. E se tornou, aos 34 anos, a gerente de qualidade de uma multinacional que fabrica chocolates, em São José dos Campos. Além de comandar o departamento, ela faz visitas periódicas a clientes do planeta inteiro. Está há três anos na empresa.

Mas o detalhe mais interessante da história da Juliana é que o marido, Fábio Mattos, humildemente, pediu a conta em uma empresa em que ele trabalhava havia 13 anos como gerente de operações, em Sumaré, só para ficar perto da patroa poderosa.

Ele se mudou para o Vale do Paraíba, onde ela está morando, abriu uma startup de tecnologia, e vai levando a vida. “O Fábio cuida de tudo lá em casa, principalmente quando estou viajando”, fala a realizada cientista de alimentos. Viva o amor!

No quartel

Daliane Déborah Negreiros da Silva, potiguar de Mossoró, estudou enfermagem. Mas não imaginava que a vida lhe reservada uma surpresa. A moça, que hoje tem 32 anos, é nada menos que tenente na EsPCEx (Escola Prepatória de Cadetes do Exército), em Campinas.

E, antes de chegar ao Estado de São Paulo, já serviu como oficial temporária na força aérea em Porto Veho (RO) e Santa Maria (RS). Foi também oficial de carreira do Exército Brasileiro em Alegrete (RS). A moça está feliz demais. Circula com desenvoltura por quartéis ao lado dos marmanjos fardados, e tem uma divisa pesada, que impõe respeito.

Ela já admirava os militares, e foi seduzida pela oportunidade de ingressar nas Forças Armadas quando viu o edital de concurso para oficial enfermeiro temporário. Hoje, tenente, ela abriu mão da paixão profissional antiga, mas ganhou uma missão nobre: a formação das primeiras turmas de mulheres na linha do ensino militar bélico.

No sindicato

Leide Mengatti, uma senhora de 63 anos, participava de movimentos estudantis na década de 70. Cresceu, estudou, virou juíza classista, mas se destacou mesmo com o microfone nas mãos, chamando assembleias e mobilizando a categoria.

É, em um meio onde os marmanjos comandavam greves e pressionavam governos, ela se tonou presidente do SinSaúde, um sindicato que representa mais de 70 mil trabalhadores do setor.

Apesar das mulheres representarem 83% de todos os trabalhadores do ramo no Interior, mulheres na liderança sindical são raras. E ela ajudou a mudar a história.

“A luta para a gente se impor e se fazer respeitar é constante. Nas atividades do dia a dia, temos de nos sobressair o tempo todo. Mas tenho consciência de que não podemos nos deixar abalar. Ao contrário, precisamos responder com profissionalismo”, diz.

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