quarta-feira, 10 dezembro 2025

A teoria do amadurecimento

 Por Cristina Navalon / Psicóloga e especialista em psicanálise do adolescente 

Em outubro comemora-se o mês da criança, data criada em função da Declaração dos Direitos da Criança, em 1959. O compromisso assegurava uma gama de virtudes que deveriam ser concedidas a este grupo, como educação, saúde e, principalmente, amor. 

Em seu texto, o documento evidencia a naturalidade desta fase, que tem um papel fundamental não apenas na índole humana, mas em toda a formação da sociedade. Em meio a isto, temos a visão Winnicottiana da “teoria do amadurecimento”.

A teoria proposta por Winnicott consiste em um estado orgânico de amadurecimento que afeta todo indivíduo, que começa em sua própria concepção – ainda no útero – e continua até sua morte. Mais do que algo determinado, é uma tendência natural, que tem na criança seu principal ponto de ação. Ainda bebê, construímos nosso corpo e mente em função do ambiente em que vivemos, sendo assim o momento de formação psíquica.

É na infância que temos os estágios iniciais deste processo, entre eles a compreensão de si mesmo e as relações com os objetos. Cada um destes constitui uma etapa, que serve de requisito para outras ao longo da vida. O esquecimento das funções básicas de aprendizado – ou até mesmo sua carência – faz com que o crescimento não ocorra como deveria, podendo gerar, inclusive, transtornos psicológicos futuros.

Assegurar um ambiente suficientemente bom – aquele que traz uma figura materna de cuidado e olhar atencioso – é fundamental para a concepção da criança como um indivíduo, além de permitir um espaço de aprendizado que a acompanha para sempre. Na prática, é sobre deixar a criança ser ela mesma – em um modelo de auto descoberta – sem apressar qualquer processo de amadurecimento.

Na sociedade temos um sistema que vai contra o modelo proposto pelo psicanalista inglês, onde desde cedo tem- -se uma necessidade de agilizar estes processos, seja por parte das figuras paternas ou do próprio menor, que reflete uma representação adulta vista nos canais de comunicação, como a internet e a televisão. Quando pulamos as etapas, ocorre um crescimento imaturo, não no sentido de rebeldia, mas de incapacidade mental.

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