terça-feira, 23 abril 2024

Ferrovia é sinônimo de desenvolvimento e emprego

Por Dirceu Dalben, deputado estadual
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Dirceu Dalben
Foto: Divulgação

O Brasil em geral e o Estado de São Paulo em particular estão perto de vivenciar um novo e sustentável ciclo de desenvolvimento e, portanto, de geração de renda e emprego, com os novos projetos ferroviários em curso. São várias iniciativas em todas as regiões brasileiras e, em São Paulo, temos por exemplo o projeto do Trem Intercidades, ligando a capital paulista e a metrópole de Campinas, em um primeiro momento.

O nosso país, já teve períodos importantes de expansão da malha ferroviária, mas infelizmente houve um abandono ou, no mínimo, descuido com essa modalidade de transporte, atitude que trouxe muitos prejuízos para o conjunto da população. Com essa falta de atenção, o Brasil é o único país de dimensão continental que não tem uma malha ferroviária à altura de seu tamanho e de suas necessidades.

Os Estados Unidos, por exemplo, lideram o ranking, com mais de 250 mil quilômetros de ferrovias. Em segundo lugar, outro país gigantesco, a China, com mais de 100 mil km de malha ferroviária. Mais um país-continente, a Rússia tem mais de 85 mil quilômetros de trilhos. Em quarto lugar, outro país enorme, a Índia, com mais de 65 mil quilômetros. O Canadá, também gigante em extensão, aparece em quinto no ranking, com mais de 50 mil km de ferrovias.

O sexto lugar no ranking de extensão ferroviária cabe a um país muito menor que o Brasil, a Alemanha, com mais de 41 mil km de trilhos. Em sétimo está a Austrália, outro gigante, com cerca de 40 mil km de ferrovias, construídas basicamente ao longo de seus imensos litorais. Em oitavo lugar está a Argentina, bem menor que o nosso país em extensão territorial, com 36 mil km. O nono lugar cabe a outro país bem menor que o Brasil, a França, com quase 30 mil quilômetros de ferrovias.

País-continente, o Brasil aparece em décimo lugar no ranking, com menos de 30 mil quilômetros de ferrovias no momento, sendo a imensa parcela de linhas de transporte de cargas, como minério de ferro e grãos. Serviços ferroviários de transporte de pessoas existem basicamente em grandes áreas metropolitanas, onde também estão os sistemas de metrô existentes em território brasileiro.

É inconcebível que o Brasil tenha tão poucas ferrovias em comparação com o tamanho do país, de 8,5 milhões de quilômetros quadrados. O custo do transporte de cargas por ferrovias é muito menor do que o transporte por rodovias. O número de pessoas vítimas em acidentes é incomparavelmente menor no caso das ferrovias. Também existe a questão ambiental, pois as ferrovias emitem muito menos gases que contribuem com as mudanças climáticas que estão castigando cada vez mais.

Um exemplo de como as ferrovias são importantes para o Brasil, e podem ser ainda mais em futuro próximo, é o do transporte dos combustíveis processados na Replan para o pool de Paulínia, onde ocorre o armazenamento de gasolina e diesel em imensos tanques. Dessa área de armazenamento, os combustíveis são transportados por ferrovia e caminhões para muitas regiões de São Paulo e da Região Centro-Oeste, pelas grandes distribuidoras. As malhas ferroviárias que saem do pool de Paulínia seguem até cidades como Campo Grande, Goiânia, Brasília, Uberaba, Bauru e Presidente Prudente. Os vagões transportam os combustíveis até esses e outros destinos e, no retorno a Paulínia, são carregados com etanol em bases como as de Ribeirão Preto, Araraquara e Jaú.

Enfim, grande parte da economia brasileira é alimentada com o combustível processado na maior refinaria do país, a Replan, em Paulínia, e transportado por via ferroviária. Outro serviço recente e enorme prestado por esse sistema é o transporte de biodiesel das regiões produtoras, como a de Rondonópolis, em Mato Grosso, até Paulínia, e desta para outras regiões de São Paulo. O biodiesel é um dos combustíveis que vai tornar o Brasil uma potência em energia renovável.

Os serviços prestados pelas ferrovias ao nosso país já são imensos. Poderiam ser maiores, se tivesse havido maior atenção em passado recente a esse modal. Mas, os novos projetos indicam que um novo ciclo pode estar chegando. Como coordenador da Frente Parlamentar pelas Ferrovias, na Assembleia Legislativa de São Paulo, vou estar sempre contribuindo com o que for possível para aprimorarmos cada vez mais nosso sistema ferroviário. O que está em jogo é a construção de um Brasil melhor e mais justo, em termos econômicos, sociais e ambientais!

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