terça-feira, 27 fevereiro 2024

Folia e mazelas sociais

Por Ailton Gonçalves Dias Filho, pastor presbiteriano
Por
Ailton Gonçalves Dias Filho
Foto: Arquivo Pessoal

O turista que chega ao Brasil nestes dias de carnaval é induzido a pensar que o país é uma maravilha e que tudo funciona perfeitamente bem. Todos os municípios do país têm seus equipamentos públicos de saúde na mais perfeita estrutura com tecnologia de ponta para atender a população. As escolas públicas funcionando em edifícios bem cuidados, com salas de aula bem estruturadas para acolher os milhares de alunos e com uma educação de ponta. Professores bem pagos e respeitados por relevante função. Escolas modernas sem nenhuma necessidade à vista.

O turista também poderia pensar que as milhares e milhares de pessoas em situação de rua espalhadas pelas cidades seriam foliões com suas fantasias. O país, pensaria o turista, não tem pessoas em situação de rua. Não há porque os gestores, municipal, estadual e federal, são generosos na confecção de orçamentos e destinam boa parte das receitas para financiar políticas públicas eficientes de tal forma que não há pessoas nessa situação.

O turista poderia andar tranquilamente nas ruas das grandes cidades apreciando os adereços dos foliões porque temos uma política de segurança que funciona. Não há assaltos em nossas cidades. Não temos favelas. Não temos submoradias. Não temos problemas com o saneamento básico em nossas cidades. Temos uma rede de esgoto com 100% de tratamento. A qualidade da água que chega em nossas torneiras é a melhor do mundo. Enfim…somos “um país abençoado por Deus e bonito por natureza”. Então, podemos nos dar ao luxo de financiar o carnaval com dinheiro público. Afinal, o povo precisa de alegria…

Deixando de lado o turista com suas impressões, nunca encontrei lógica no carnaval. Minha opinião não leva em conta o lado religioso. Minhas críticas não são oriundas da convicção religiosa. Minhas críticas vêm da lógica, do bom senso, da boa gestão dos recursos públicos. Primeiro a obrigação, depois a diversão, diriam nossos pais. Como aceitar o carnaval com todas as nossas mazelas sociais expostas, escancaradas. Me desculpem os foliões. Me desculpem os que apreciam a festa do carnaval. Mas, o país precisa olhar para aquilo que é essencial e relevante para a vida em sociedade. Nem tudo vai bem no país no carnaval.

É isso!

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