quinta-feira, 13 agosto 2026
ALEGA LEGÍTIMA DEFESA

Comerciante que matou homem em Hortolândia diz que agiu para defender o filho

Advogado afirma que cliente não está foragido e que ele já prestou dois depoimentos à Polícia Civil; investigação apura se houve legítima defesa de terceiro
Por
Vagner Salustiano
GCM, Polícias Civil e Científica atuaram no dia do homicídio, que segue sendo investigado. Foto: Portal Conexão Hortolândia

Ao lado de seu advogado, o comerciante Charles Wilson de Almeida, de 39 anos, que atirou e matou Victor Hugo de Almeida, de 40 anos, em Hortolândia, no dia 4 de agosto, publicou um vídeo nas redes sociais da própria loja apresentando sua versão sobre o crime. Ele afirmou que atirou para defender o filho, Davi de Almeida, de 20 anos, de uma suposta agressão.

Familiares de Victor Hugo afirmam que a vítima teria sido agredida primeiro pelo filho do comerciante ao chegar à loja para pedir a troca de um item adquirido no estabelecimento.

No vídeo publicado na quarta-feira (12), o advogado do comerciante negou que ele tenha fugido da cidade ou seja considerado foragido. Segundo a defesa, Charles já se apresentou duas vezes na Delegacia do Município para prestar depoimentos. O autor confesso dos disparos segue respondendo ao inquérito em liberdade.

No início do vídeo, o advogado e o comerciante manifestam “solidariedade e respeito” aos familiares e amigos da vítima fatal. “Preferi que esse primeiro contato fosse na minha presença para esclarecer que não existe nenhum foragido da Justiça. Estamos cooperando com a autoridade policial todas as vezes que fomos convocados. Ele (cliente) se apresentou à delegacia logo após o fato de forma voluntária. Se apresentou em momento posterior também para esclarecimento e produção probatória. Apresentou as provas que estão na mão da autoridade policial que vem conduzindo o caso com muito zelo e respeito. A legalidade está imperando. E um comerciante que atua há mais de 20 anos e nunca teve seu nome envolvido em qualquer tipo de problema, ainda mais dessa magnitude”, afirmou o advogado.

Desentendimento comercial teria iniciado briga
Conforme divulgado pela TV TODODIA no dia do crime, Victor Hugo havia ido até a loja de informática situada na Rua Armelinda Espúrio da Silva, no Jardim Nossa Senhora de Fátima, acompanhado da filha, para tentar resolver uma pendência comercial.

Ele teria sido atendido por Davi, filho do comerciante, com quem acabou discutindo. O jovem chegou a ser ferido no tronco por um objeto contundente e foi atendido em uma Unidade de Saúde.

Segundo Charles, ele estava em casa no início da tarde do dia 4 quando recebeu uma ligação do filho pedindo que retornasse rapidamente ao estabelecimento. O comerciante afirmou que, pela forma como recebeu o pedido, acreditou que a loja estivesse sendo alvo de um assalto. “Nesse dia, eu havia saído da loja há cerca de 10 ou 15 minutos, eu moro ali perto. E recebi uma ligação do meu filho assim que cheguei no apartamento. Uma ligação curta e rápida, não deve ter dado 10 segundos, mas meu filho estava desesperado, estava em perigo, pedindo ‘pai desce aqui’. Percebi pela voz dele que algo estava acontecendo ali, algo sério. Desci convicto que era um assalto. (…) A pressa, preocupado com a vida do meu filho”, afirmou.

Fotos mostram ferimentos sofridos pelo filho do comerciante. Fotos: Divulgação/Acervo Pessoal

Comerciante diz que viu filho sendo agredido
Os disparos aconteceram na calçada em frente à loja, quando Charles chegou ao estabelecimento. Victor Hugo foi atingido nas costas e na cabeça.

O crime aconteceu nas proximidades de uma barbearia onde estava a filha da vítima, uma criança que teria presenciado o ocorrido. As informações apresentadas sobre a idade da menina são divergentes: familiares mencionaram três anos, enquanto informações divulgadas anteriormente apontaram quatro.

O comerciante afirmou que, ao chegar, encontrou o filho no chão e Victor Hugo em pé. “Quando cheguei em frente à loja, o que eu vi foi exatamente meu filho deitado no chão, encolhido, se defendendo de um agressor que estava em pé, alguém com uma estrutura corporal bem maior que a dele o agredindo. Eu efetuei os disparos o mais próximo que eu… Eu temia acertar também o meu filho, que estava ali embaixo. Eu tentei, naquele momento, apenas fazer aquilo cessar e proteger a vida do meu filho. E foi exatamente o que aconteceu”, afirmou.

Destino da arma ainda não foi informado
Após os disparos, Charles afirmou que deixou o local em estado de choque. No vídeo, não é informado qual foi o destino da arma utilizada no crime. “Depois que isso aconteceu, eu entrei em pânico, corri pro meu veículo e saí do local dirigindo sem rumo, sem entender o que estava acontecendo, em pânico. Eu temia ter acertado o meu filho. Eu não sabia o que tinha acontecido”, completou.

Guardas civis de Hortolândia foram os primeiros a chegar à loja, que permanece fechada desde o crime, e encontraram Victor Hugo caído no chão. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionado, mas os paramédicos constataram a morte da vítima ainda no local. O endereço passou por perícia.

Polícia Civil investiga o caso
O caso foi registrado inicialmente como homicídio consumado e homicídio tentado, com possibilidade de reenquadramento como legítima defesa de terceiro, e segue sob investigação da Polícia Civil de Hortolândia.

A apuração inclui diligências, depoimentos de testemunhas, análise de imagens e vídeos e a conclusão de laudos periciais. Depois do encerramento das investigações, o inquérito será encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário.

Loja recebeu ameaças após crime
A loja também informou, em resposta a uma cliente nas redes sociais na quarta-feira (12), que ainda não poderia reabrir o estabelecimento. Segundo a equipe do comércio, a decisão está relacionada às ameaças recebidas após o crime. “Ainda estamos impossibilitados de abrir a loja física, considerando as recentes ameaças que temos recebido e a questão sendo investigada pelas autoridades competentes”, informou.

O advogado confirmou que o estabelecimento recebeu ameaças, mas afirmou que a loja deve reabrir em breve.

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