O resgate de uma menina de dois anos sequestrada pelo próprio pai mobilizou policiais militares e terminou com a prisão do suspeito após perseguição em uma estrada rural de Sumaré. A ocorrência foi registrada na segunda-feira (2) e resultou na retirada da criança do carro momentos depois de o veículo capotar.
A ação foi conduzida pelo sargento Juliano Germano, de 39 anos, e pelo soldado Wesley, da 4ª Companhia da PM (Polícia Militar), localizada no Jardim Amanda, em Hortolândia. Segundo o policial, a equipe localizou o carro do suspeito após a mãe da criança procurar ajuda na base da corporação.

A menina havia sido levada pelo pai, que enviou mensagens à ex-companheira afirmando que pretendia atear fogo no veículo em que estava com a filha.
Chamado mobilizou equipes da Polícia Militar
De acordo com o sargento Juliano Germano, a ocorrência começou após uma ligação ao telefone 190 e o comparecimento da mãe da criança à base da PM. Ela informou que o homem havia enviado a localização aproximada onde estaria e ameaçado incendiar o carro com ele e a menina dentro caso ela não fosse ao encontro.
“Teve uma ligação ao 190. A mãe também compareceu na base 4ª Cia, na Avenida Santana. Ela informou que ele passou uma localização para ela, onde ela devia ir. Se ela não fosse, ele ia matar a criança, colocar fogo no carro e se matar também. Com base nessa localização aproximada que ela nos passou, eu determinei que todas as viaturas da 4ª Cia abortassem qualquer tipo de ocorrência que não fosse tão grave quanto essa, e que todo mundo se empenhasse. Iniciei o protocolo Águia, justamente a tenente Flávia, para ter o apoio aéreo. Entretanto, nesse meio tempo, a gente acabou deparando com o veículo sendo conduzido pelo autor”, relatou o sargento.
Pouco depois, os policiais localizaram o carro e iniciaram uma perseguição por estradas rurais da região do Assentamento III, em Sumaré.
Capotamento permitiu retirada da criança
Segundo o policial, o acompanhamento durou cerca de 40 segundos e terminou quando o veículo do suspeito capotou. “Teve um acompanhamento em altíssima velocidade, tanto que ele capotou numa reta. Quando ele capotou, a gente se aproximou. Tem as imagens da COP – que são as câmeras operacionais padrão. E ele ficou no banco do motorista, e a neném ficou no teto, só que o teto estava no chão. Ela estava com algumas escoriações, mas nada muito grave, graças a Deus. Foi quando eu quebrei o vidro com um chute e tirei ela do interior do veículo, devido ao forte cheiro (de gasolina). Ela estava molhada de combustível também, então eu precisei tirá-la o mais rápido possível, enquanto o soldado Wesley fez a detenção do autor dos fatos, que também estava totalmente molhado de combustível”, afirmou.
De acordo com o policial, o interior do carro estava com forte cheiro de combustível e havia galões de gasolina no veículo.

Investigação aponta intenção de incendiar o carro
Durante a ocorrência, os policiais identificaram que o suspeito havia espalhado combustível dentro do veículo. Segundo o sargento, um galão foi encontrado praticamente vazio.
“A gente acredita que, quando ele viu a viatura de frente, ele já sabia que estava sendo procurado, e então começou a espalhar (a gasolina), porque ficou um galão vazio, com uma pequena quantidade de combustível, e sem a tampa. E ele teve a pachorra de nos dizer que o galão não tinha tampa. Só que imagens do posto de combustível levantadas pela doutora Nathália, uma excelente delegada, acabaram comprovando que ele estava mentindo. Ou seja, mostram nitidamente que o galão tinha tampa e estaria devidamente fechado se ele não tivesse espalhado pelo carro”, disse.
Durante a perseguição, o homem chegou a enviar um áudio à ex-companheira ameaçando incendiar o veículo. “Ó, a polícia tá atrás de mim, tá bom? Vou pôr fogo no carro com tudo dentro, tá bom? Só pra você saber que sou eu”, afirmou na mensagem que passou a integrar o inquérito policial.
Policial relata preocupação durante a perseguição
Segundo o sargento, a principal preocupação da equipe era não perder o veículo de vista para evitar que o suspeito colocasse o plano em prática.
“A primeira preocupação, quando a gente se deparou com o carro, eu falei para o Wesley: a gente não pode perder esse carro. Se a gente der alguns segundos para ele, ele vai fazer essa loucura e a gente vai ficar sem muito tempo de agir. Graças a Deus, ele capotou o veículo, o que possibilitou o resgate. E a menina ficou intacta, praticamente. Eu coloquei alguns curativos nela, porque ela estava sangrando um pouquinho, mas nada muito grave. E esse fato de ela ficar íntegra, eu coloco nas mãos de Deus, com certeza”, contou.
Após o resgate, a criança recebeu atendimento e passa bem.

Policial afirma que motivação da carreira é salvar vidas
O sargento também relatou que a experiência foi marcante, especialmente por também ser pai.
“Foi bem difícil, porque eu sou pai também. A gente coloca o nosso filho no lugar da criança. Acho que é automático, isso. Mas a APM prepara a gente, um preparo emocional muito forte, a gente é exposto a várias situações para conseguir, no meu caso, manter o equilíbrio e resgatar a criança. Depois a gente fica nervoso, é normal. Mas só depois que está tudo sob controle, autor preso, vítima segura, ambiente seguro, preservado para a perícia e para a investigação, que vai ser tocada pela doutora Nathália”, afirmou.
Ao relembrar o resgate, ele resumiu o sentimento após a ocorrência.
“É gratificante, né? A gente enfrenta vários problemas, como todo cidadão comum. Só que esse tipo de ocorrência deixa a gente muito bem, deixa a gente… Eu entrei na Polícia para fazer isso, para salvar vidas.”
O pai da menina permanece preso preventivamente e deverá responder pelos crimes de sequestro, cárcere privado, ameaça e tentativa de homicídio.





