A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (12) a quarta fase da Operação Coffee Break, que investiga suspeitas de fraudes em licitações públicas envolvendo agentes públicos e empresários. A ação resultou no cumprimento de 10 mandados de busca e apreensão, um mandado de prisão preventiva e medidas cautelares determinadas pela Justiça Federal.
As diligências ocorreram em Campinas, Sumaré, Americana, Jundiaí e Itu. A investigação tem como foco contratos ligados à Secretaria de Educação de Sumaré firmados entre 2021 e 2025.

Segundo a Polícia Federal, o inquérito apura a possível manipulação de processos licitatórios e a prática de lavagem de dinheiro para ocultar valores que teriam sido desviados de recursos públicos destinados à educação.
Prisão de ex-secretário e medidas cautelares
Durante a operação, os agentes cumpriram mandado de prisão preventiva contra José Aparecido Ribeiro Marin, ex-secretário municipal de Educação e também ex-secretário de Mobilidade Urbana e Rural de Sumaré nas gestões do ex-prefeito Luiz Alfredo Dalben (PSD).
Marin já havia sido alvo de um mandado de prisão na segunda fase da operação, em novembro do ano passado, mas não foi localizado na ocasião. Posteriormente, obteve habeas corpus na Justiça Federal e passou a cumprir medidas cautelares com monitoramento eletrônico.
Nesta nova fase, a Justiça Federal também determinou a instalação de tornozeleira eletrônica na secretária de Finanças de Itu, Monis Marcia Soares, que ocupou anteriormente cargos na administração municipal de Sumaré. Após a operação, a Prefeitura de Itu informou que a servidora foi exonerada do cargo.
Além das medidas pessoais, foram autorizados o afastamento de funções públicas e o bloqueio de bens relacionados aos investigados.

Investigação aponta fraude em contratos da Educação
De acordo com a Polícia Federal, as apurações indicam um esquema de direcionamento de licitações para favorecer empresas fornecedoras de materiais educacionais. Os investigadores suspeitam que processos de compra de kits de robótica e materiais didáticos tenham sido manipulados para permitir contratações com valores superfaturados.
Uma das empresas citadas na investigação é a Life Tecnologia Educacional, sediada em Piracicaba. Segundo a PF, alguns produtos teriam sido vendidos às prefeituras por valores até 35 vezes superiores aos praticados no mercado.
O esquema investigado teria movimentado cerca de R$ 128 milhões em contratos entre 2021 e 2025 em municípios da região, incluindo Sumaré, Hortolândia e Limeira.
Somente a Prefeitura de Hortolândia teria adquirido aproximadamente R$ 57,9 milhões em materiais didáticos e kits de robótica da empresa no período investigado.

Prefeituras e investigações paralelas
A Prefeitura de Sumaré informou, em nota, que tomou conhecimento da nova fase da operação na manhã de quinta-feira (12) e que não houve diligências nas dependências da Secretaria de Educação nesta etapa. O município também afirmou que os fatos investigados dizem respeito a contratos firmados em gestões anteriores e declarou estar à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
A investigação também alcança agentes públicos ligados à Prefeitura de Hortolândia. Em fases anteriores da operação, o vice-prefeito e ex-secretário de Governo Cafu Cesar (PSB) e o ex-secretário de Educação Fernando Gomes de Moraes chegaram a ser presos, assim como o empresário André Gonçalves Mariano, sócio da empresa investigada. Todos foram posteriormente soltos por decisão judicial.
A Câmara Municipal de Hortolândia instalou uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para analisar os contratos firmados com a empresa investigada, enquanto as prefeituras envolvidas conduzem sindicâncias internas.
Crimes investigados
Segundo a Polícia Federal, os investigados poderão responder por corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e organização criminosa. Somadas, as penas previstas para esses crimes podem chegar a até 60 anos de prisão.
O nome da operação, Coffee Break, faz referência ao uso da palavra “café” entre os investigados para se referir a pagamentos de propina nas negociações sob investigação.
*Atualizado às 16h30.





