
Um homem de 32 anos foi preso em Mogi Mirim na última sexta-feira (14), suspeito de envolvimento no homicídio do advogado Lucas Silva Lopes, de 30 anos, morador do Jardim Adelaide, em Hortolândia. O crime aconteceu entre os dias 1º e 2 de agosto. Segundo a Polícia Civil, o suspeito já tinha registros criminais anteriores.
Lucas foi encontrado sem vida na manhã do dia 2 pela Guarda Municipal de Mogi Mirim, em uma estrada rural do Distrito Industrial Luiz Torrani. O corpo estava sem roupas, em posição fetal, com sinais de violência, ferimentos no rosto e um tecido amarrado ao pescoço. O carro da vítima, um Chevrolet Tracker, foi localizado totalmente queimado no mesmo dia, a cerca de sete quilômetros do local, no Parque Real II.
Advogado tinha atuação na área da inclusão
Lucas era formado em Direito pela PUC-Campinas, mestre em Direitos Humanos pela USP (Universidade de São Paulo) e fazia doutorado na mesma instituição. Ele trabalhava na Ambev, em Jaguariúna, e também dava aulas na USP.
O advogado tinha paralisia cerebral e atrofia muscular nos membros inferiores, utilizava recursos de mobilidade e atuava na defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Entre 2023 e 2026, também foi diretor da CCP (Casa da Criança Paralítica de Campinas).
Família registrou desaparecimento
A família registrou o desaparecimento de Lucas no dia 3, após não conseguir mais contato com ele. O advogado havia saído de casa no sábado (1º) e não retornado. Com a identificação do corpo, os dois casos foram relacionados e Lucas passou a ser reconhecido como a vítima do homicídio. Segundo a polícia, ele não tinha histórico conhecido de conflitos ou desavenças.
A Polícia Civil de Mogi Mirim passou a investigar o assassinato e buscou imagens de câmeras de segurança para esclarecer as circunstâncias do crime e identificar os envolvidos.
Câmeras ajudaram na investigação
Imagens obtidas pelos investigadores mostram o carro de Lucas entrando na estrada rural às 3h05 da madrugada do dia 2 e deixando o local três minutos depois. Segundo a perícia, a vítima foi morta nesse intervalo e deixada na estrada.
Outro vídeo mostra o suspeito abastecendo o veículo de Lucas em um posto de combustíveis minutos depois do crime. O carro teria sido posteriormente levado para outro ponto e incendiado. O celular da vítima teria sido jogado em um rio da cidade.

Vítima havia registrado ocorrência contra suspeito
Segundo o delegado Fabio Chrysostomo, Lucas e o suspeito já se conheciam. As investigações apontaram que, no fim de 2024, o advogado havia registrado um boletim de ocorrência por estelionato contra o homem preso agora.
Na ocasião, o suspeito teria tentado realizar movimentações bancárias de R$ 5 mil nas contas de Lucas. Como não conseguiu, teria emitido um boleto de compensação bancária de R$ 1 mil contra o advogado e realizado uma compra de R$ 1,1 mil utilizando os dados do cartão de crédito da vítima.
A Polícia Civil ainda não informou se o episódio registrado em 2024 tem relação com o homicídio.
Segundo suspeito é investigado
O homem foi localizado e preso na sexta-feira à tarde, quando buscava o filho na escola. De acordo com a Polícia Civil, ele confessou o assassinato.
Um segundo suspeito, cuja identidade não foi divulgada, também é investigado por possível participação no homicídio. As investigações continuam para esclarecer a dinâmica do crime e a participação de cada envolvido.





