segunda-feira, 4 março 2024
PM ABRIU SINDICÂNCIA

OAB realiza ato em apoio à advogado em abordagem classificada de “viés racista”

Um ato de solidariedade ao advogado João Guedes foi realizado na tarde desta quinta-feira (30) na sede da subseção de Sumaré da OAB
Por
Henrique Fernandes
Foto: Divulgação

A Polícia Militar (PM) abriu uma sindicância para apurar a conduta dos policiais militares ao abordarem o advogado João Guedes, no dia 16 de novembro, na entrada da Malcon Metalúrgica, na Vila Dainese, em Americana. Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra um policial do 19º BPMI (Batalhão de Polícia Militar do Interior) segurando o advogado negro pelo cinto da calça.

Um ato de solidariedade ao advogado foi realizado na tarde desta quinta-feira (30) na sede da subseção de Sumaré da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), promovido também pela OAB de Americana. O presidente da OAB de Sumaré, Paulo Roberto da Silva, classifica a abordagem como “viés racista”. A OAB de São Paulo descreve a abordagem policial como “covarde agressão” ao profissional de advocacia.

“As imagens do policial militar segurando o advogado negro pelo cinto da calça por vários minutos, e anunciando que pretendia levá-lo detido dentro da caçamba da viatura, circularam pelas redes sociais e chocaram a advocacia e a sociedade. Para a OAB Sumaré, além de violar as prerrogativas do advogado, a ação policial teve um viés racista e contra a atividade sindical”, divulgou a OAB através de nota.

“A Polícia Militar instaurou uma sindicância para apurar os fatos. Policiais militares do 19°BPM foram acionados para atender a ocorrência e, no local, verificaram que sindicalistas estavam impedindo a entrada dos trabalhadores na empresa”, informou a SSP (Secretaria de Segurança Pública) através de nota.

No dia seguinte ao episódio, a presidente da OAB seção São Paulo, Patricia Vanzolini, participou de videoconferência com o advogado João Guedes, o presidente da OAB Sumaré, Paulo Roberto da Silva, e outros membros da diretoria da subseção local, para discutir os encaminhamentos necessários contra esta violação das prerrogativas profissionais da advocacia.

“É fundamental nos mobilizarmos e mostrarmos que o dr. João Guedes não está sozinho. A união de classe é muito importante nos casos de violação de prerrogativas profissionais, uma vez que a advocacia é um contrapoder, o anteparo contra o abuso”, ressaltou a presidente da OAB SP.

Além da sindicância, a Polícia Civil apura os relatos dos envolvidos através do 4º DP (Distrito Policial) de Americana. “As partes foram intimadas para realização das oitivas”, disse a SSP.

O que diz o comandante do 19º BPMI?

O tenente-coronel Adriano Daniel, comandante do 19º BPMI (Batalhão de Polícia Militar do Interior), disse que os advogados da empresa Malcolm ligaram para a Polícia Militar, alegando que os sindicalistas estariam constrangendo, proibindo os trabalhadores de adentrar a empresa.

“A Polícia Militar chegou para o local e verificou realmente que eles estavam fazendo piquete, impedindo que as pessoas trabalhassem, o que é crime. A partir daí, os policiais tiveram de tirar as pessoas de frente da empresa para permitir que os trabalhadores adentrassem e, dentre essas pessoas, estava o advogado. Até então, os policiais sequer sabiam. O advogado estava junto com as pessoas no piquete. A sindicância foi instaurada para apurar os fatos diante da acusação, que é um procedimento normal”, disse o coronel Daniel em entrevista à Rede TodoDia.

Foto: Divulgação
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