Pelo menos 24 pessoas foram presas nesta quarta-feira (18) durante uma operação realizada pela Polícia Federal e pela Polícia Militar do Estado de São Paulo em diversas cidades da região de Campinas. Ao todo, foram expedidos 72 mandados judiciais, sendo 37 de prisão temporária e 35 de busca e apreensão.
Na região, as ordens judiciais foram cumpridas em municípios como Araras, Americana, Hortolândia, Sumaré, Nova Odessa, Limeira, Mogi Mirim e Rio Claro. Também houve ações na capital paulista e em cidades de Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro.

Primeira operação da Ficco em Campinas
A ação marcou a primeira operação da Ficco (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado) na região. Segundo o delegado da Polícia Federal, André Ribeiro, a ofensiva foi resultado de trabalho conjunto entre as forças de segurança. “A operação de hoje é a primeira realizada pela nossa força integrada em Campinas. É um enfrentamento a uma célula do crime organizado instalada no interior de São Paulo, com investigação conduzida em conjunto com a Polícia Militar”, afirmou.
De acordo com a investigação, o grupo utilizava empresas de fachada para lavagem de dinheiro e movimentava grandes quantias provenientes do tráfico de drogas, incluindo substâncias de alto valor comercial. Ao todo, cerca de 150 contas bancárias foram bloqueadas, com valores que podem chegar a R$ 70 milhões.
Tráfico de drogas e armas com atuação interestadual
As apurações apontaram que a organização tinha vínculos com facção criminosa de atuação nacional, identificada como o Comando Vermelho. O grupo movimentava carregamentos de haxixe com alto teor de THC e também operava um esquema estruturado de tráfico de armas, com logística interestadual.
Segundo o comandante Sabino, do CPI-9 da Polícia Militar, a investigação teve origem em uma prisão realizada em Araras. “A investigação começou com a prisão de um indivíduo em Araras, que tinha ligação com o crime organizado do Rio de Janeiro. A partir disso, foram identificadas mais de 20 empresas utilizadas para lavar dinheiro do tráfico”, afirmou.
Ele destacou ainda que a organização atuava em diferentes regiões do país. “Eles tinham presença em Foz do Iguaçu, no Rio de Janeiro e no interior de São Paulo. Todas essas pessoas identificadas participavam da cadeia, seja na venda, distribuição ou no tráfico internacional de drogas e armas”, disse.
Estrutura organizada e drogas de alto valor
De acordo com a Polícia Militar, o grupo possuía estrutura definida, com divisão de funções e atuação em várias etapas do esquema criminoso. “Eles traziam maconha e transformavam em haxixe e dry, com alto teor de THC. O quilo pode chegar a R$ 50 mil ou R$ 60 mil, o que gera grande rentabilidade e a necessidade de empresas para lavagem de dinheiro”, afirmou o comandante.
As investigações também indicam que o núcleo da organização estava concentrado principalmente em Rio Claro, cidade que registrou aumento nos índices de homicídios relacionados a disputas entre facções. Com o avanço das investigações, parte dos integrantes teria migrado para Araras, onde foram cumpridos 14 mandados. Em Rio Claro, foram seis.
Investigações continuam
O delegado André Ribeiro afirmou que o material apreendido ainda será analisado para identificar novos envolvidos. “O objetivo é continuar a investigação, identificar outros integrantes e desarticular completamente o crime organizado na região”, disse.
A operação representa a primeira atuação da Ficco em Campinas, estrutura criada recentemente para integrar diferentes forças de segurança no combate ao crime organizado.
*Atualizado às 16h58.





