Uma operação da GM (Guarda Municipal) de Hortolândia em um bar do Jardim Nossa Senhora de Fátima, na região do Rosolém, na noite de sexta-feira (1º), polarizou a opinião pública. De um lado, a ação atraiu reclamações de frequentadores do local, que apontaram excessos por parte dos agentes. Do outro, moradores da cidade parabenizaram a corporação pela intervenção.
A atuação da corporação municipal começou por volta das 23h do feriado do Dia do Trabalhador. O estabelecimento promovia uma apresentação ao vivo de samba e pagode naquela noite. Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública do Município, a GM já havia recebido diversas reclamações de perturbação do sossego através dos telefones 153 e 156. As denúncias apontavam o fechamento da rua e música com volume acima do permitido para o horário.

Grades na rua e som alto até tarde
Diversas equipes da GM foram deslocadas até o local, que fica na Rua Júlio Edson da Silva, de frente para a Praça Anésia Aparecida Barbosa. Testemunhas falam em dez viaturas mobilizadas na operação. O comando da corporação garantiu que os guardas conversaram com o proprietário do estabelecimento, informando sobre o descumprimento da lei pelo evento.
Dezenas de pessoas acompanhavam o show de pagode no estabelecimento, na calçada e na rua, enquanto outras ainda frequentavam a própria praça em frente. As imagens mostram também que uma parte da rua havia sido interditada com gradil pelo estabelecimento. Segundo a Secretaria de Segurança, não havia autorização para utilização da via pública, daí a necessidade de dispersar o evento e a multidão que estava no local. Além disso, também não haveria autorização para apresentações musicais no estabelecimento até aquele horário.
Uso de bombas, armas e spray de pimenta
A partir da chegada das equipes da corporação ao local, a situação escalou rapidamente. No primeiro vídeo divulgado na conta oficial do estabelecimento, é possível ver o cerco feito pelas equipes da GM, com viaturas, bombas de efeito moral e guardas com armas longas em punho. Inicialmente confusos, os clientes que estavam dentro do bar começaram a entrar em desespero.
Em um dos vídeos divulgados, um homem que também se encontrava no interior do estabelecimento questiona repetidamente “para que isso?”, enquanto filma o cerco dos guardas. Em determinado momento do vídeo, um agente se encaminha em direção ao cliente chacoalhando algo na mão direita e aciona o que parece ser um spray de gás lacrimogênio contra o rosto do cidadão. Segundo o cliente, havia no momento da abordagem “pessoas idosas, mulher grávida e crianças” no interior do bar.
Ao Portal Hortolândia 2.0, a Secretaria informou que o armamento menos letal só foi utilizado porque populares teriam atirado objetos contra os guardas.
Atuação divide opiniões
Nas redes sociais, a atuação da GM de Hortolândia no bar dividiu opiniões. Quem estava no interior do estabelecimento criticou a corporação pela ação truculenta e pelo uso ostensivo de bombas, armas e gás lacrimogênio contra os clientes.
Por outro lado, muitas pessoas parabenizaram a Guarda Municipal por ter dispersado a aglomeração de pessoas que ainda havia naquele horário, encerrando o show que acontecia no estabelecimento, que fica em uma região predominantemente residencial.
Em nota emitida nesta segunda-feira (4), a Prefeitura de Hortolândia ressaltou que todo o procedimento dos guardas na noite de sexta-feira “é passível de análise e, se verificado algum comportamento irregular dos agentes, os responsáveis serão notificados e punidos na medida do que for apurado”.





