A Polícia Civil concluiu a investigação sobre a morte do empresário Michel Serra Begali, de 32 anos, assassinado a golpes de faca no estacionamento nos fundos de uma academia, em Americana, no domingo, dia 6. Ao fim do inquérito, a ex-companheira da vítima foi indiciada por homicídio duplamente qualificado por traição e meio cruel.
Michel foi encontrado caído no local, com intenso sangramento. Segundo os registros da investigação, ele apresentava aproximadamente 54 ferimentos provocados por faca, sendo cerca de 39 concentrados nas regiões das costas e do pescoço.

A vítima foi socorrida pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e encaminhada à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Dona Rosa, mas não resistiu aos ferimentos. Uma faca encontrada nas proximidades foi apreendida e enviada para perícia.
Ex-companheira foi presa em flagrante
A ex-companheira de Michel foi localizada dentro da academia, visivelmente abalada e com vestígios de sangue nas roupas e no corpo. Ela foi presa em flagrante por homicídio.
No início da investigação, o delegado Odair José Jaeger, responsável pelo caso, registrou que a quantidade e a localização dos ferimentos não permitiam reconhecer, naquele momento, uma situação de legítima defesa.
A decisão inicial, entretanto, ressaltava que essa avaliação poderia ser modificada conforme novas provas fossem produzidas durante a investigação. As câmeras de segurança também foram analisadas, mas as imagens não esclareciam completamente a dinâmica do crime, pois parte da ação ocorreu atrás de um veículo estacionado.
Investigação aponta nova conclusão
Com o avanço da apuração, a Polícia Civil analisou o conjunto de provas reunidas no inquérito, incluindo exames periciais, imagens de segurança e outras informações obtidas durante a investigação.
A partir desse material, o delegado responsável concluiu pelo indiciamento da mulher. Segundo a Polícia Civil, a dinâmica dos acontecimentos foi reavaliada com base nas imagens e nos demais elementos reunidos no inquérito.
Família apresenta novos elementos
Durante a investigação, o advogado Werington Roger Ramella, que representa a família de Michel, apresentou à Polícia Civil uma manifestação com novos elementos para serem incorporados e analisados no inquérito.
Protocolado no dia 10 de setembro, o documento reúne vídeos, imagens, áudios e registros de redes sociais. A família também solicitou a análise de publicações atribuídas à investigada, feitas pouco antes do homicídio.
Outro ponto apresentado é a existência de imagens que, segundo a família, mostrariam o veículo da investigada nas proximidades da residência de Michel aproximadamente 30 minutos antes do crime.
Segundo o advogado, as imagens analisadas pela família indicariam momentos distintos durante a agressão, com afastamentos e posteriores retomadas.
Origem da faca também é questionada
A manifestação apresentada à Polícia Civil também pede esclarecimentos sobre a origem da faca utilizada no crime.
De acordo com o documento, Michel havia adquirido um veículo algumas semanas antes e recebido, como brinde, um kit de churrasco ou faqueiro. A família afirma que o conjunto teria permanecido na residência anteriormente compartilhada pelo casal após a separação.
O advogado pediu que a Polícia Civil verificasse se a faca apreendida nas proximidades do local do crime fazia parte desse conjunto.
Prisão domiciliar
Após a prisão em flagrante, a mulher teve a prisão convertida em preventiva. Posteriormente, a Justiça autorizou que ela cumprisse a medida em prisão domiciliar, com monitoramento eletrônico.
A decisão levou em consideração, entre outros fatores, as responsabilidades familiares atribuídas à investigada, incluindo os cuidados com os filhos e com o pai, que estaria acamado.
Com a conclusão do inquérito, a família de Michel voltou a questionar a manutenção da prisão domiciliar. Na manifestação apresentada à Polícia Civil, o advogado Werington Ramella pediu que a medida fosse reavaliada.
A família sustenta que os novos elementos apresentados podem modificar a avaliação sobre a necessidade da prisão preventiva e pede que a investigada volte a cumprir a medida em um estabelecimento prisional.
O documento também chama atenção para a situação dos dois filhos menores. Entre eles está a filha de Michel e da investigada, apontada pela família como testemunha presencial dos fatos.
Inquérito será encaminhado ao Ministério Público
Com o encerramento da investigação, o inquérito será encaminhado ao Ministério Público, que deverá analisar as provas reunidas e avaliar as providências cabíveis.
O indiciamento representa a conclusão da Polícia Civil sobre a existência de elementos que apontam para a prática do crime, mas não significa condenação. A responsabilidade criminal da investigada ainda será analisada pela Justiça, com garantia do direito à defesa e ao contraditório.
A reportagem procurou o advogado Luis Carlos Gazarini, que defende a mulher investigada, mas ele informou que não irá se manifestar neste momento.




