sábado, 20 abril 2024
UM PRESO POR CRIME AMBIENTAL

Polícia flagra descarte de esgoto de condomínio de alto padrão na Represa de Americana

Perícia técnica verificou descarte de resíduos sem tratamento e Vigilância Sanitária notificou o recinto por não apresentar licenças ambientais
Por
Henrique Fernandes
Foto: Divulgação

A Polícia Civil de Americana, através do 1º DP (Departamento de Polícia), apurou que a estação de tratamento de esgoto do Iate Clube Americana descarta esgoto in natura na represa do Salto Grande e prendeu o responsável por crime ambiental na manhã de quinta-feira (28).

Os agentes, após receberem diversas denúncias de poluição e forte odor, constataram que nenhum maquinário, aerador ou bomba de cloro estava funcionando, “ocasionando o descarte direto de resíduos na represa que abastece o sistema de água do município”.

Segundo a Polícia Civil, as etapas de filtragem de esgoto in natura não eram suficientes para evitar o descarte de materiais com alta DBO (Demanda Biológica de Oxigênio), fator que atua diretamente na poluição hídrica, ou seja, a carga de matéria orgânica poluidora era tão alta que reduzia a oferta de oxigênio, causando a mortalidade de peixes e outros organismos essenciais para a vida aquática.

Os peritos técnicos Jeferson e o fotógrafo Rodrigo foram acionados e realizaram um levantamento no local, com o auxílio de drone. “À beira da Represa, constatou-se a presença de inúmeras carcaças de peixes (…) e alta taxa de eutrofização por todo o perímetro, com presença massiva de macrófitas (algas com grande indicador de poluição)”, informou o relatório.

A perícia também constatou que, abaixo da estação de tratamento, ainda havia uma marina e mais imóveis, e em tais locais “o esgoto in natura era possivelmente descartado sem nenhuma espécie de tratamento químico ou direcionado à estação de tratamento”. O fiscal da Vigilância Sanitária verificou que não haviam licenças ambientais necessárias e notificou o recinto para apresentação da documentação, sob pena de medidas administrativas.

O DAE (Departamento de Água e Esgoto de Americana) e a CETESB foram acionados para conhecimento da ocorrência e adoção de medidas cabíveis. Por conta da pena não ultrapassar quatro anos, houve fiança no valor de R$ 1,5 mil. O indiciado, que havia sido preso pelo artigo 54 da Lei Ambiental ao “causar poluição de qualquer natureza”, pagou e foi liberado após prestar depoimento na Polícia Civil. As testemunhas também foram ouvidas e liberadas em seguida.

Outro lado

A reportagem do TODODIA foi ao Iate Clube Americana, na tarde desta segunda-feira (2), para ouvir o posicionamento da parte envolvida ou do advogado de defesa, mas ninguém quis comentar o assunto até o momento.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
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