O Palacete Boyes, um dos principais patrimônios históricos e arquitetônicos de Piracicaba, segue aberto para visitação pública até o dia 10 de agosto. Localizado às margens do Rio Piracicaba, o casarão tem atraído grande número de visitantes, principalmente nos fins de semana, quando filas começam a se formar antes mesmo da abertura dos portões. O movimento reforça o interesse da população em redescobrir um dos imóveis mais importantes da história da cidade.
Quem passa pela avenida Beira Rio ou pela rua Prudente de Morais dificilmente deixa de notar o casarão. Localizado próximo à Casa do Povoador e ao salto do Rio Piracicaba, o imóvel ocupa uma posição privilegiada e integra a paisagem que marcou a industrialização piracicabana, formando um dos cartões-postais mais conhecidos do município.

Jardins e arquitetura
Além da imponência da construção, os jardins chamam a atenção pelas árvores centenárias e pelas palmeiras imperiais, que remetem ao projeto paisagístico idealizado ainda no século XIX por Luiz de Queiroz. O espaço reúne espécies trazidas de diferentes partes do mundo e preserva um ambiente de contemplação que atravessou gerações.
No interior, o palacete mantém elementos originais, como a fachada ornamentada, dezenas de janelas, salões e escadarias. Os detalhes arquitetônicos ajudam a retratar como era uma das residências mais sofisticadas de Piracicaba durante o auge do ciclo industrial do algodão. Depois de décadas fechado ao público, o imóvel voltou a receber visitantes, permitindo que a população conheça um espaço cercado por histórias e lembranças da cidade.
Experiência dos visitantes
Entre os visitantes, a estudante Yasmin Victória contou à reportagem da TV TODODIA que sempre admirou o Palacete Boyes apenas pelo lado de fora e aproveitou a oportunidade para conhecer os ambientes internos. “É muito mais bonito do que eu imaginava. A gente vê fotos, passa pela avenida e acha lindo, mas entrar aqui faz toda a diferença. Parece que cada sala conta um pedaço da história. É um lugar que transmite uma paz e uma elegância difíceis de explicar”, afirmou.
A estudante Keyla Souza também destacou a experiência. “O conjunto é mágico. Você olha para um lado e vê o Rio Piracicaba, para o outro encontra esses jardins maravilhosos com as palmeiras imperiais e, no meio de tudo isso, um prédio espetacular, cheio de detalhes. É um patrimônio que todo piracicabano deveria visitar pelo menos uma vez. Dá muito alegria ver um lugar como esse aberto para a população”, disse.
História preservada
Em uma série publicada originalmente em 1992 e resgatada pelo Memorial de A Província, o imóvel é descrito como um espaço de requinte que recebeu ministros, governadores, artistas e intelectuais, tornando-se um dos principais centros sociais do interior paulista durante décadas.
Entre os visitantes ilustres está o escritor britânico Rudyard Kipling, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, que registrou sua passagem pelo palacete em 1927 no tradicional livro de visitas da residência, um dos documentos históricos mais valiosos ligados ao imóvel. Antes dele, outras personalidades, entre elas Washington Luís, também deixaram suas assinaturas no local.
O casarão foi construído como Vila Aretusina, residência de Luiz Vicente de Souza Queiroz, fundador da antiga Fábrica Santa Francisca e patrono da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP). Posteriormente, passou ao senador Rodolpho Miranda e, em 1918, foi incorporado à Companhia Boyes, origem do nome pelo qual ficou conhecido. Ao longo de mais de um século, tornou-se um dos símbolos da memória industrial e arquitetônica de Piracicaba.
Serviço
- Visitação: até 10 de agosto.
- Local: Palacete Boyes (Palacete Luiz de Queiroz), avenida Beira Rio, Piracicaba.
- Ingressos: inteira por R$ 78 e meia solidária por R$ 39.
- Opções: também há visitas guiadas e experiências noturnas, com valores diferenciados.





