TV AO VIVO
TODODIA 14 de outubro de 2026
Brasil & Mundo

Após saída de Salles, fundos estrangeiros esperam prova de compromisso contra desmatamento

Compartilhar WhatsApp Facebook

Novo Ministro do Meio Ambiente é o Joaquim Pereira Leite

Área de desmatamento e queimada no Amazonas (Foto: Bruno Kelly/Amazônia Real)

Grandes investidores internacionais vão esperar um “firme compromisso político do recém-nomeado ministro do Meio Ambiente com a redução do desmatamento” antes de retomar seus negócios com o Brasil, afirmou nesta quinta (24) Jan Erik Saugestad, principal executivo da gestora norueguesa Storebrand, sobre a exoneração de Ricardo Salles e sua substituição por Joaquim Pereira Leite.

“Gostaríamos de continuar apoiando o crescimento econômico brasileiro como investidores, mas a tendência de aumento do desmatamento no Brasil torna cada vez mais difícil para empresas e investidores atender às suas ambições ambientais, sociais e de governança”, afirmou o executivo.

Segundo ele, a evolução da situação em 2020 “ressalta a urgência nesse assunto, e esperamos ver um firme compromisso político do recém-nomeado Ministro do Meio Ambiente com a redução do desmatamento”.

Saugestad foi um dos líderes de um grupo de 29 grandes fundos, administradores de US$ 4,1 trilhões (cerca de R$ 20 tri, pelo câmbio atual) em ativos, que no ano passado fizeram um movimento de protesto contra o desmonte de políticas ambientais no Brasil.

“O Brasil foi considerado um modelo para o mundo em certos indicadores ambientais, com redução do desmatamento e das emissões de carbono na década de 2000 e início de 2010”, ressaltou nesta quinta o executivo.

Ele ressalvou, porém, que “o mandato de Salles desde 2019 foi marcado por altas taxas de desmatamento na floresta amazônica e uma série de investigações sobre supostas irregularidades”, o que exige evidências práticas de mudança com sua saída.

De acordo com Saugestad, políticas que garantam a gestão sustentável do ecossistema são do interesse não só dos investidores –que precisam prestar contas a seus parceiros, clientes e sociedades– mas também às empresas, populações e governos envolvidos.

A saída de Salles não foi vista por ambientalistas como um sinal imediato de mudança nas políticas brasileiras, porque seu substituto, Joaquim Pereira Leite, era próximo ao ex-ministro e seu secretário da Amazônia e Serviços Ambientais.

No governo Bolsonaro, Leite também ocupou a diretoria do Departamento Florestal da pasta. O currículo do novo ministro inclui ainda passagem por empresas de consultoria e do ramo farmoquímico, além de um período como conselheiro da Sociedade Rural Brasileira. 

Tema Brasil Mundo

Esta matéria foi útil para você?

Folhapress TODODIA — jornalismo das regiões de Campinas e Piracicaba
ver matérias ›

Newsletter TODODIA

As mais lidas do dia, direto no seu e-mail. Grátis.

Ao se inscrever você concorda em receber a newsletter diária do TODODIA. Cancele quando quiser, com um clique no rodapé do e-mail. Política de privacidade.