Quarta, 08 Dezembro 2021

Bolsonaro se irrita com perguntas sobre Covaxin e insulta jornalistas no interior de SP

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Bolsonaro se irrita com perguntas sobre Covaxin e insulta jornalistas no interior de SP

Bolsonaro participava de uma inauguração em Sorocaba, no interior de São Paulo, e foi indagado sobre o caso da vacina indiana 

Durante a visita do presidente a Sorocaba, ele tachou quase todas as perguntas sobre o caso  da covaxin de idiotas ( Foto: Folhapress)

Em mais um episódio de ofensas a jornalistas, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) insultou repórteres nesta sexta-feira (25) ao se exaltar quando questionado sobre a vacina Covaxin, cuja suspeita de irregularidade na negociação para a compra pelo governo federal é investigada por Procuradoria e CPI da Covid no Senado.

Bolsonaro participava de uma inauguração em Sorocaba, no interior de São Paulo, e foi indagado sobre o caso da vacina indiana.

O presidente chegou ao local sem máscara e acenando aos apoiadores, de pé na porta de um carro. Em seguida, falou por cerca de 20 minutos com jornalistas, mostrando-se impaciente com perguntas, em especial vindas de repórteres mulheres.

A uma das delas, disse que deveria voltar para a faculdade. Em outras respostas à essa jornalista, afirmou que ela tinha que retornar ao primário e nascer de novo.

"Onde tem vacina [em fevereiro]? Responda! Onde é que tem vacina na prateleira para ser vendida? Para de fazer pergunta idiota, pelo amor de Deus, nasça de novo você", afirmou. "Ridículo, tá empregada onde? vamos fazer pergunta inteligente, pessoal."

Bolsonaro afirmou em Sorocaba que a Polícia Federal irá abrir inquérito sobre a vacina -um dia antes não havia nenhum registro do tipo, segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo.

Nesta sexta, o presidente tachou quase todas as perguntas sobre o caso de idiotas. "Foi comprada uma ampola sequer da Covaxin? Responda! Foi comprada uma ampola?", disse a uma jornalista. "Pare de fazer pergunta idiota, por favor."

"Se é para você me julgar pelo que alguns pensam, imagine o que posso pensar de você?", respondeu em outra ocasião.

O principal alvo de Bolsonaro na entrevista foi a repórter Victoria Abel, da rádio CBN, que se manifestou em nota sobre o ataque do presidente. "Não foi à repórter que faltou educação nesse episódio. A CBN se solidariza com Victoria Abel, que, assim como todos os nossos jornalistas, continuará a fazer seu trabalho para informar os brasileiros."

Em outro evento no início desta semana, em Guaratinguetá (SP), Bolsonaro mandou uma repórter e integrantes da sua própria equipe calarem a boca, tirou a máscara, reclamou da CNN Brasil e fez ataques à TV Globo.

Naquele dia, o presidente se irritou inicialmente após ser lembrado que havia sido multado pelo Governo de São Paulo por não ter usado máscara de proteção durante uma motociata no último dia 12.

Após citar a utilização de capacete como justificativa naquele caso, foi questionado por chegar ao evento em Guaratinguetá sem máscara e respondeu: "Eu chego como quiser, onde eu quiser, eu cuido da minha vida. Se você não quiser usar máscara, você não usa".

Nesta quinta-feira, a Justiça condenou o governo federal a pagar uma multa por danos morais coletivos no valor de R$ 5 milhões por ofensas contra as mulheres em declarações públicas feitas pelo presidente Bolsonaro e por outros membros da atual gestão.

A União também foi condenada a realizar campanhas de conscientização sobre problemas sociais enfrentados pelas mulheres no Brasil, como violência doméstica e assédio sexual, no valor de R$ 10 milhões. Cabe recurso contra a decisão.

Além das declarações do presidente, a Justiça Federal também levou em consideração para tomar a decisão falas em diversas situações, desde o início do governo, feitas pela ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves; pelo ministro da Economia, Paulo Guedes; pelo ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo; e pelo deputado Federal e filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Segundo a decisão, as declarações constituem abuso da liberdade de expressão no desempenho do poder estatal e afronta aos deveres basilares no desempenho das atribuições de seus cargos.

A ação foi ajuizada pelo Ministério Público Federal em agosto do ano passado.

O órgão entrou com a ação por considerar que "desde o início da atual gestão, integrantes da cúpula do governo federal já proferiram uma série de declarações e atos administrativos que revelam um viés preconceituoso e discriminatório contra o público feminino, reforçando estigmas e estimulando a violência".

Na decisão divulgada nesta quarta-feira (23), a juíza Ana Lúcia Petri Betto, da 6ª Vara Cível Federal de São Paulo, afirma que "se as expressões utilizadas, por si só, são dignas de espanto e repúdio, assumem ainda maior gravosidade quando inseridas no contexto fático e social em que se situam as cidadãs brasileiras, de intensa desigualdade e pr 

 

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