quinta-feira, 18 abril 2024

Casos de feminicídio aumentam no primeiro trimestre em SP

Os dados são da Secretaria de Segurança Pública

Por Jaqueline Durões

Foto: Paulo H. Carvalho/ Agência Brasil

Milhões de mulheres sofrem algum tipo de violência todos os dias no Brasil. As motivações mais comuns são o ódio, o desprezo ou o sentimento de perda do controle e da propriedade sobre as mulheres.

O número de crimes cometidos contra mulheres no estado de São Paulo teve um aumento no primeiro trimestre deste ano, em relação com o mesmo período do ano passado. Entre os índices que se destacam, está o feminicídio, que aumentou 24%; a ameaça, que cresceu 70,8%; e a lesão corporal dolosa, com elevação de 13,8%.

O que chama mais a atenção são as taxas de crescimento de transgressões como o homicídio doloso e a tentativa de homicídio contra as mulheres, que tiveram altas expressivas e aumentaram bem acima do registrado contra a população em geral – homens e mulheres somados.

De acordo com os dados da Secretaria, no primeiro trimestre deste ano o número de homicídios dolosos, que tiveram mulheres como vítimas, somaram 128 casos, alta de 19,6% em comparação ao mesmo período do ano passado.

Já o número de homicídios dolosos contra a população em geral somou 719 no mesmo período, uma alta de 2,8% em relação a igual período do ano passado, ou seja, a ocorrência do crime aumentou 19,6% contra as mulheres e 2,8% contra a população em geral.

O mesmo ocorre com as tentativas de homicídio. No primeiro trimestre deste ano, elas somaram, contra as mulheres, 101 casos, com elevação de 26,2% em comparação ao mesmo período do ano passado. As tentativas de homicídio contra a população em geral totalizaram 933 casos, um aumento de 13% – ou seja, o crime aumentou 26,2% contra as mulheres e 13% contra a população em geral.

A Secretaria foi perguntada sobre o maior aumento dos homicídios dolosos e tentativas de homicídio contra as mulheres, em comparação ao registrado contra a população em geral. Em declaração, a secretaria não apresentou uma resposta direta. Afirmou que a variação dos casos de feminicídio e homicídio dolosos contra mulheres é alvo de análise permanente por parte da secretaria. E que 68% desses crimes foram provocados devido à relação afetiva entre a vítima e o autor.

“As outras ocorrências tiveram como autores amigos ou familiares. Em cerca de 88% dos casos, a vítima já tinha um histórico de violência doméstica. A SSP segue trabalhando continuamente para aprimorar o atendimento à mulher em situação de vulnerabilidade e capacitar os policiais para lidar com essas situações de maneira humanizada”.

Por dia, três mulheres são vítimas de feminicídio. Estes são apenas alguns números assustadores quando o assunto é violência contra a mulher que, a cada dia mais, deixam de ser apenas estatísticas para se transformarem em nomes e rostos em sites de notícias.

Heloísa Buarque de Almeida, professora de antropologia da Universidade de São Paulo (USP) levantou algumas hipóteses que podem explicar o aumento dos crimes contra as mulheres. Ela lembrou que nos anos 70 houve também o registro de elevação da violência doméstica contra as mulheres quando cresceu o trabalho feminino fora do lar.

Heloísa destacou; “Exatamente quando as mulheres ganham mais poder, os homens se sentem mais ameaçados, a violência doméstica aumenta. A violência de casal tem muito a ver com uma coisa que a gente chama de fantasia de poder, de o cara querer controlar a mulher”.

Ela sugere que a reivindicação de mais direitos pelas mulheres pode estar ligada ao aumento da violência, como reação dos homens. “Quando o movimento feminista cresce, as mulheres demandam mais coisas em casa, por exemplo. Normalmente aumenta a violência doméstica, e o feminicídio está ligado à violência doméstica. As mulheres são assassinadas, às vezes, quando decidem separar”, ressaltou.

Atenção: se você foi ou está sendo vítima de violência doméstica ou familiar, peça ajuda, antes que seja tarde demais. As denúncias podem ser realizadas nas Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (DEAM) especializadas no suporte a vítimas de violência de gênero e direitos da mulher.

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