
As denúncias de violência contra mulheres no ambiente digital cresceram 188,6% nos primeiros cinco meses de 2026, segundo dados divulgados pelo Ministério das Mulheres. Entre janeiro e maio deste ano, o Ligue 180 recebeu 16.725 denúncias, ante 5.795 registros no mesmo período do ano passado. De acordo com o levantamento, redes sociais, aplicativos de mensagens, jogos online e outras plataformas digitais têm sido utilizados para ameaçar, perseguir, humilhar, constranger e expor mulheres e meninas.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, afirmou que o aumento das denúncias pode indicar uma redução da subnotificação, resultado de maior confiança das vítimas nos canais de atendimento e do aprimoramento dos serviços de acolhimento.
Avanço nos registros
Os dados mostram que a violência digital passou da sétima para a quinta posição entre os tipos de violência registrados pelo Ligue 180 entre 2025 e 2026. Em média, a Central de Atendimento à Mulher recebe cerca de 3 mil registros por dia em todo o país. Aproximadamente 30% dos atendimentos se transformam em denúncias, enquanto os demais envolvem orientações e pedidos de informação. Segundo o órgão federal, as ocorrências incluem perseguição virtual, ameaças, chantagens, divulgação de imagens íntimas e intimidação praticadas pela internet.
Perfil das vítimas
Os dados também apontam desigualdades no perfil das vítimas. Em 2025, quase metade das mulheres que denunciaram violência digital eram negras, sendo 37,5% pardas e 10,5% pretas. A faixa etária com maior número de registros foi a de 35 a 44 anos, que representa 21,6% dos casos. Ao considerar mulheres entre 25 e 49 anos, o grupo corresponde a mais da metade das denúncias. Além disso, 45,9% das vítimas não possuíam renda ou recebiam até um salário mínimo.
Decreto e proteção
O aumento das denúncias ocorre após a entrada em vigor do decreto federal que estabelece medidas de proteção às mulheres no ambiente digital. A norma determina obrigações para plataformas digitais e estabelece prazos para respostas em casos de violência online. Entre as medidas, está a retirada em até duas horas de imagens íntimas divulgadas sem consentimento. O texto também equipara imagens falsas de nudez geradas por inteligência artificial às imagens reais, reconhecendo os impactos causados às vítimas.
Capacitação das equipes
Para adequar o atendimento às novas demandas, cerca de 350 profissionais do Ligue 180 passaram por capacitação específica sobre violência digital. O Ministério das Mulheres afirma que a atualização dos protocolos permitirá identificar melhor os casos e orientar as vítimas sobre os procedimentos de denúncia e proteção.
*Com informações da Agência Brasil.





