O ministro deu um prazo de três dias para o filho do chefe do Executivo prestar esclarecimentos
O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Benedito Gonçalves, cobrou explicações do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) sobre a utilização “político-eleitoral” de seus perfis nas redes sociais para promover um “ecossistema de desinformação” contra adversários do presidente da Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição. O ministro deu um prazo de três dias para o filho do chefe do Executivo prestar esclarecimentos.
Gonçalves atendeu a pedido da Coligação Brasil da Esperança, do candidato do PT ao Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva, que acusou apoiadores do atual governo de usar do poder de seus cargos para impulsionar desinformação nas redes sociais. O PT ainda pediu a abertura de uma investigação, e foi atendido
No segundo turno, o PT também se tornou alvo de ações do tribunal. Como mostrou o Estadão, perfis petistas passaram a ter atuação mais ativa com a difusão até de informações falsas. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chegou a determinar a retirada do ar de vídeos da campanha de Lula contra Bolsonaro.
DIFUSÃO MASSIFICADA
Na decisão de ontem, o corregedor afirma que diversos apoiadores de Bolsonaro têm difundido informações falsas sobre Lula, mas faz menção específica a Carlos, que seria um dos principais responsáveis pela suposta rede de “atuação concertada para difusão massificada e veloz de desinformação”.
O PT argumenta ao TSE que Carlos é a figura central da produção e disparos de notícias falsas. Também acusa outros bolsonaristas e a produtora Brasil Paralelo de “produzir e difundir exponencialmente conteúdos desinformativos”.
“Materiais já reputados ilícitos seguem armazenados para serem acessados a qualquer tempo e compartilhados, criando-se um ciclo de perpetuação de fake news, que desafia as ordens judiciais de remoção de conteúdo e tem efeitos nefastos sobre a normalidade eleitoral”, disse o corregedor.
O magistrado também proibiu que um grupo de empresas como a Brasil Paralelo possa usar recursos privados para impulsionar conteúdos contra o PT. A produtora foi impedida de divulgar um documentário sobre supostos responsáveis pela facada em Bolsonaro em 2018 e que seria lançado pouco antes do segundo turno.
Procurado, Carlos Bolsonaro não se manifestou até a conclusão desta edição. A Brasil Paralelo declarou que seu conteúdo é “sério e apartidário” e que “não faz parte de nenhum grupo de coordenação de informações de apoio ao governo”.





