quinta-feira, 25 julho 2024

Dois casos suspeitos de ‘doença da vaca louca’ são monitorados no Rio de Janeiro

 As duas pessoas, internadas no Centro Hospitalar para a Pandemia de Covid-19, estão sendo monitorados pela Fiocruz

A doença é neurodegenerativa popularmente conhecida como “doença da vaca louca”(Foto: CNA Wenderson/ Araujo Triluz)

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) detectou dois casos suspeitos de DCJ (doença de Creutzfeldt Jakob), uma doença neurodegenerativa popularmente conhecida como “doença da vaca louca”. Os pacientes são de Belford Roxo e Duque de Caxias, cidades da Baixada Fluminense.
Segundo o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz, nenhum dos casos foi confirmado ainda, mas a suspeita é de que os dois pacientes tenham a chamada “forma esporádica” da Encefalite Espongiforme Bovina, sem relação com o consumo de carne bovina.

O Ministério da Agricultura também emitiu um comunicado confirmando que as suspeitas não estão associadas ao consumo de carne, afastando temores de um possível impacto nas exportações brasileiras.
As duas pessoas, internadas no Centro Hospitalar para a Pandemia de Covid-19, estão sendo monitorados pela Fiocruz.
Segundo a Prefeitura de Duque de Caxias, o paciente da cidade é um homem de 55 anos de idade que apresentou sintomas de demência e ataxia, que é a perda ou irregularidade da coordenação muscular.
A Prefeitura de Belford Roxo e a Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro ainda não responderam aos questionamentos enviados pela reportagem do UOL.
O QUE É DCJ (doença de Creuzfeldt Jakob)
A DCJ é uma doença que ataca o sistema nervoso central, causando demência e anormalidades nos movimentos. Ela é fatal.
Essa doença tem cinco formas diferentes de transmissão.
A primeira e mais recorrente (responsável por cerca de 85% dos casos) é a “esporádica”, quando não existe uma fonte infecciosa conhecida nem evidência no histórico familiar no paciente, como no caso suspeito em Duque de Caxias.
Entre 10% e 15% dos casos são hereditários, resultado de uma mutação genética.
As outras três maneiras de transmissão são muito mais raras.
Uma delas seria consequência do uso de instrumentos neurocirúrgicos ou eletrodos intracerebrais contaminados durante cirurgias de transplantes. Outra, pela ingestão de carne de gado portador da doença da vaca louca, com a variante vDCJ. A Grã-Bretanha também já registrou um caso de transmissão da vDCJ por meio de uma transfusão sanguínea.
HISTÓRICO DA DOENÇA NO BRASIL
Segundo o Ministério da Saúde, de 2005 (quando foi instituída a vigilância da DCJ no Brasil) a 2014, foram identificados 603 casos suspeitos da doença. Nenhum deles era da variante vDCJ.
No entanto, no início de setembro deste ano, a exportação de carne bovina para a China foi suspensa após casos suspeitos serem identificados em Minas Gerais e no Mato Grosso.

Nos anos 1980 e 1990, um surto da DCJ no Reino Unido resultou na morte de dezenas de pessoas e levou ao abatimento de quatro milhões de animais. 

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