
O relatório anual de barreiras comerciais dos Estados Unidos de 2026, elaborado pelo USTR (Escritório do Representante Comercial), voltou a criticar o Pix, alegando que o sistema brasileiro gera uma concorrência desleal contra empresas norte-americanas como PayPal e bandeiras de cartão.
Banco Central
O documento aponta que o Banco Central do Brasil, ao acumular as funções de criador, operador e regulador da plataforma, além de obrigar grandes instituições financeiras a adotá-la, estaria concedendo uma vantagem indevida ao sistema nacional.
Essa movimentação faz parte de um inquérito iniciado em julho de 2025 para investigar possíveis práticas comerciais prejudiciais aos interesses dos EUA.
Posicionamento de Lula
Em resposta, o presidente Lula afirmou categoricamente que o Brasil não pretende alterar o funcionamento do Pix por pressão estrangeira, defendendo a ferramenta como um serviço essencial à sociedade e um símbolo de soberania nacional.
O governo brasileiro tem utilizado o episódio para reforçar seu posicionamento político, contrastando sua postura defensora do patrimônio nacional com a de adversários políticos ligados ao governo Trump.
Possíveis sanções
No campo das consequências, especialistas explicam que os Estados Unidos não possuem jurisdição para interferir diretamente nas regras do Pix, mas podem aplicar sanções no âmbito comercial.
Isso inclui a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros, a restrição de importações ou até a exclusão do Brasil do Sistema Geral de Preferências, que oferece vantagens tarifárias a países em desenvolvimento.
Outros impasses
Além do setor financeiro, o relatório americano também demonstra descontentamento com as taxas brasileiras sobre o etanol e com questões ambientais. O endurecimento das críticas americanas pode estar relacionado a embates na Organização Mundial do Comércio, onde o Brasil barrou propostas dos EUA sobre a tributação de serviços digitais, como softwares e streamings.
Apesar do clima de tensão e das críticas mútuas, o diálogo diplomático entre os dois países tem se intensificado, com a possibilidade de uma reunião formal entre os presidentes para tratar da ampla agenda bilateral que vai além das disputas sobre o sistema de pagamentos.





